ENTREVISTA / Flávio Roscoe / Candidato a Governador de Minas Gerais pelo PL
Ex-presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe Nogueira tem 54 anos, é historiador de formação e empresário do setor têxtil. Líder associativista, iniciou a carreira na indústria muito jovem, aos 18 anos. Flávio Roscoe disputa sua primeira eleição ao governo de Minas pelo Partido Liberal (PL). Quando assumiu a direção da Fiemg em 2018, Flávio encontrou uma entidade com endividamento e déficit de quase R$ 300 milhões. Em sua gestão, transformou a FIEMG em uma entidade superavitária com caixa de quase R$ 3,5 bilhões, um modelo que pretende replicar no Estado.
Sua proposta é fortalecer a segurança pública com planos de aumento de eficiência, melhora da estrutura e valorização do efetivo. Pretende regionalizar a saúde para levar atendimento para mais perto das pessoas, reduzindo filas de espera de atendimento e ampliando o acesso a cirurgias. Conheça algumas das propostas do candidato.
JORNAL BELVEDERE: O Estado enfrenta uma grave situação fiscal e uma dívida bilionária. Qual será sua estratégia para equilibrar as contas do Estado sem comprometer investimentos em áreas essenciais? E qual será sua prioridade nos primeiros 100 dias de governo?
Flávio Roscoe: Antes de mais nada, é bom frisar que é preciso destravar o Estado para voltar a investir. E nós temos conhecimento e experiência para isso. Meus oito anos à frente da FIEMG, onde revertemos um quadro de déficit e promovemos uma virada no SESI / SENAI saltando de 99 mil para 250 mil alunos, me habilitam a isso. Mais que gerir, é importante criar formas de aumentar os recursos sem penalizar a população com mais impostos. Foi isso que fizemos na Fiemg e é isso que faremos no Estado aumentando a produtividade.
Minas tem uma dívida de R$ 179,3 bilhões, então nossa estratégia será renegociar as condições do Propag com a União e revisar contratos, estruturas e despesas da máquina pública. Os recursos do Propag, inclusive, serão aplicados integralmente em áreas essenciais, priorizando saúde e segurança pública. Também vamos ampliar a receita com crescimento econômico e atração de investimentos, sem aumentar impostos.
Nos primeiros 100 dias, faremos uma revisão profunda da estrutura administrativa e dos contratos do Estado. Cada secretaria terá metas públicas e vamos publicar mensalmente a posição de caixa e instalar o conselho de infraestrutura por decreto. Também iniciaremos a renegociação da carteira de ativos vinculada à dívida, sem abrir mão do controle da CEMIG. Minas não precisa escolher entre equilíbrio fiscal e bons serviços. Precisa gastar melhor, crescer e transformar eficiência em investimento para o cidadão.
JORNAL BELVEDERE: Uma das áreas que mais impactam diretamente a população é a Saúde. Quais serão suas principais medidas para otimizar esse serviço, para ampliar o atendimento de média e alta complexidade e fortalecer a saúde nos municípios do interior?
Flávio Roscoe: Essa é uma das áreas que mais interessam ao mineiro, 28% da população se preocupa com isso. O Estado fez um investimento recorde da ordem de R$ 11,8 bilhões, mas ainda restam gargalos importantes, como a distância que o paciente precisa percorrer para obter atendimentos de alta complexidade e a espera na fila para atendimento.
Então uma das nossas primeiras medidas é descentralizar o atendimento da saúde, principalmente para os procedimentos de alta complexidade, onde as filas são maiores. Vamos fazer isso aumentando o número de CTIs e UTIs nas cidades menores por meio de parcerias com hospitais filantrópicos e particulares, para que possamos aumentar a capilaridade e descentralizar os hospitais dos grandes centros. Junto a isso, promover um atendimento mais humanizado para a população, já que ela terá a oportunidade de fazer esses procedimentos de alta complexidade próximo de suas casas, com acompanhante membro da família.
A tecnologia também será nossa parceira para multiplicar nossos recursos. Ferramentas como telemedicina, em alguns casos, resolvem na própria cidade o que não precisa de deslocamento. E, é claro, sempre com muita eficiência na gestão para multiplicar os recursos.
JORNAL BELVEDERE: Na área da segurança pública, que mudanças concretas o seu governo pretende implementar para combater a criminalidade, valorizar as forças de segurança e melhorar a prevenção?
Flávio Roscoe: No caso da segurança pública, uma das principais ações é valorizar as nossas forças policiais. Minas hoje paga a menor remuneração média da polícia civil do país, são R$ 12.195 contra R$ 15.512 da média nacional. Na mesma polícia civil faltam cerca de 7 mil servidores – a força está operando com 9 mil profissionais para um quadro de 16 mil. Vamos dar ao policial segurança jurídica para fazer o seu trabalho da forma necessária – hoje, o policial que for processado precisa arcar com o próprio advogado; na nossa proposta, vamos nomear a Advocacia-Geral do Estado para assumir isso.
A tecnologia será outro aliado do nosso efetivo, já que os recursos são limitados – vamos multiplicar nossa força policial por meio dela. Um exemplo são as câmeras com reconhecimento facial. Pretendemos instalar 200 mil em toda Minas Gerais e, por meio desse monitoramento, limitar a circulação do criminoso pelo Estado e impedir que ele esteja por aí, solto, aterrorizando a sociedade. Esse trabalho será feito de forma integrada, entre as nossas forças policiais e entre os estados que fazem limite com Minas Gerais. Chamamos isso de “Cinturão de Minas”, que também terá postos de vigilância nas principais estradas para já detectar veículos roubados e agir antes que a criminalidade se espalhe pelo interior. O bandido é que tem que ficar com medo de sair de casa, e não a população de bem. E, caso ele saia, vamos estar com um sistema prisional modernizado e com capacidade total para quem deve cumprir sua pena.
Em paralelo a isso, vamos aplicar a gestão nessa área também, acompanhando indicadores, medindo e percebendo se determinada política pública vem dando resultados ou não para fazermos adaptações. Gestão é isso, você mede o tempo todo e faz alterações para obter melhores resultados.
JORNAL BELVEDERE: Em termos de mobilidade e infraestrutura, quais são as obras e projetos que terão prioridade e como o Estado pretende financiá-los, especialmente em relação às rodovias, ferrovias e os grandes corredores metropolitanos?
Flávio Roscoe: Minas precisa de infraestrutura que gere desenvolvimento, então uma das nossas propostas é criar o Fundo Estadual de Infraestrutura. Vamos priorizar a recuperação das nossas rodovias, a eliminação de pontos críticos, acostamentos e sinalização, especialmente em rotas de escoamento da produção. Também iremos rever cuidadosamente todos os contratos de concessões para nos certificar de que o proposto está sendo cumprido – em todos eles, obra e duplicação terão de vir antes da cobrança de pedágio. Para a Região Metropolitana, a prioridade será melhorar os grandes corredores de mobilidade com a expansão da rede metroferroviária, fiscalização estrita da concessão do metrô e integração tarifária.
Na logística, pretendemos atuar junto à União e à iniciativa privada para ampliar a integração ferroviária para conectar melhor nossas regiões produtoras aos grandes eixos nacionais. O financiamento vai combinar recursos próprios, investimentos já contratados e recursos previstos no Propag. E, onde entendermos que é adequado, vamos buscar investimentos privados. Minas está no coração do Brasil. Precisamos transformar essa localização em vantagem competitiva.
JORNAL BELVEDERE: Como seu governo pretende promover um desenvolvimento mais equilibrado em relação às diferenças e características regionais do Estado, atraindo investimentos, gerando empregos e melhorando a qualidade de vida também nas regiões historicamente menos desenvolvidas?
Flávio Roscoe: Minas é um estado gigante, com uma enorme diversidade entre cada região e o mineiro não deveria ter que deixar sua cidade para buscar oportunidades. Temos que analisar cada uma, não podemos tratar regiões diferentes como se tivessem os mesmos problemas e as mesmas vocações.
As propostas de desenvolvimento precisam partir das potencialidades de cada território. Nesse sentido, visamos fazer investimentos por região, integrando agro e indústria, e promover formação técnica nos municípios de menor desenvolvimento, tendo em vista suas atividades. O estímulo ao turismo, às agroindústrias e pequenos empreendedores conforme a vocação da região também está nos nossos planos.
Desenvolver cada região também passa por infraestrutura, energia, conectividade e menos burocracia para quem quer produzir e gerar empregos – ou seja, mais uma vez: precisamos destravar esse estado. No Norte, Jequitinhonha e Mucuri, atenção especial à agricultura familiar, com assistência técnica, crédito e melhores condições de escoamento da produção. Desenvolvimento de verdade é criar emprego, renda e qualidade de vida onde as pessoas vivem, para que elas não precisem migrar para a capital em busca de oportunidades.


























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