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Outubro Rosa: canetas emagrecedoras podem ser aliadas no combate ao câncer de mama

Outubro Rosa: canetas emagrecedoras podem ser aliadas no combate ao câncer de mama

Medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 surgem como aliados no controle do peso e na saúde metabólica das pacientes, sempre com acompanhamento multidisciplinar. Oncologista fala da esperança que o tema representa.


A excesso de peso é uma realidade no Brasil e representa um risco adicional para o câncer de mama. A obesidade é um fator de risco reconhecido para a doença, tanto para seu surgimento quanto no pós-diagnóstico, e o excesso de peso pode ainda ser agravado por alguns tratamentos. É nesse contexto que as chamadas canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, passam a ser vistas como aliadas no cuidado. Elas não são um tratamento oncológico e não substituem cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou terapia hormonal, mas ajudam no controle de um fator que pesa na saúde da mulher antes, durante e depois da doença. Para a oncologista clínica Graziella Piló, do OncoMD, grupo de oncologia do Mater Dei Santo Agostinho e Nova Lima, o controle do peso precisa ser tratado como parte da prevenção. “A obesidade é um fator de risco importante para o câncer de mama. Quando falamos em cuidar do peso, estamos falando em reduzir um risco que existe e que pode ser modificado. Por isso, qualquer ferramenta segura que ajude a mulher a alcançar e manter um peso saudável merece ser avaliada com atenção”, avalia a oncologista.

O interesse da oncologia pelo tema é sustentado por pesquisas recentes. Um estudo do MD Anderson Cancer Center, publicado em fevereiro de 2026 na revista Cancer Research Communications, avaliou mais de mil sobreviventes de câncer de mama que usaram essa classe de medicamentos e associou o uso à perda de peso e à melhora da sobrevida global dos pacientes.

Para Graziella, o cenário é encorajador. “Toda ferramenta que nos auxilia no enfrentamento do câncer de mama é muito importante e precisa ser analisada com seriedade. As canetas surgem como uma aliada promissora, mas o melhor resultado vem quando o uso é individualizado e acompanhado por uma equipe: oncologista, endocrinologista, nutricionista e, sempre que possível, uma abordagem multidisciplinar com atividade física e apoio psicológico. É esse conjunto que traz segurança e resultado para a paciente”, aconselha.

O tema ganha ainda mais peso diante do cenário nacional: o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026-2028, um risco de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres. A doença responde por cerca de 30% dos cânceres diagnosticados em mulheres e deve registrar aumento de aproximadamente 5 mil casos anuais em relação ao período 2023-2025.

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