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Cidades mineradoras instituem grupo de trabalho por soluções de segurança na BR-040

Cidades mineradoras instituem grupo de trabalho por soluções de segurança na BR-040
Os prefeitos de Nova Lima, Itabirito, Congonhas, Belo Vale e Ouro Preto, juntamente com o presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (AMIG) vão buscar ações a serem realizadas em relação ao alto fluxo de veículos e de carretas de transporte de minério na rodovia, entre o trecho que vai do km 563, em Alphaville, até o km 617 em Congonhas, onde há um elevado número de acidentes fatais.

Está prevista para acontecer, nesta última semana do mês, a primeira reunião do Grupo de Trabalho sobre a Rodovia BR-040, criado pela Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (AMIG), que tem como missão contribuir nas ações a serem realizadas pela instituição em relação ao alto fluxo de veículos, sobretudo aqueles destinados ao transporte de minério na via federal, notadamente, entre o trecho que vai do km 563 em Nova Lima até o km 617 em Congonhas, onde há um elevado número de acidentes fatais. A reunião acontece no mesmo momento em será instalado oficialmente o GT. O grupo é composto pelo presidente da AMIG, José Fernando Aparecido de Oliveira, prefeito de Conceição do Mato Dentro, e pelos executivos municipais das cidades mineradoras de Nova Lima, Itabirito, Congonhas, Belo Vale e Ouro Preto.

Segundo informou o presidente da AMIG, José Fernando Aparecido de Oliveira, estas cidades são as mais impactadas pelos problemas da rodovia e o Grupo de Trabalho irá articular ações com os responsáveis pela via em busca de soluções para o problema. Ele informou que a associação tem sido demandada pelas cidades associadas e demais usuários da BR 040 devido aos problemas de infraestrutura que tem ocasionado os acidentes, muitos deles fatais. Diante disso, a AMIG se uniu a esses prefeitos para juntos buscarem uma ação mais efetiva para o problema.

Modal rodoviário é um dos pontos nevrálgicos

José Fernando Aparecido pontua que a rodovia federal é uma das várias vias que enfrentam um alto fluxo de veículos, sobretudo destinados ao transporte de minério, que vem trazendo sérios danos à população. “O modal rodoviário é um dos pontos nevrálgicos para o avanço do desenvolvimento econômico no País. Diante disso, o Grupo de Trabalho criado pela AMIG vai sugerir diretrizes para solucionar esses problemas de infraestrutura, que está carente de investimentos”, declarou.
A AMIG recebeu do Grupo de Trabalho de Segurança no Trânsito do Conselho Federal de Engenharia (CONFEA) um estudo apresentando os números da rodovia em relação a acidentes fatais no trecho. E agora o seu GT terá como atribuições elaborar um plano de trabalho, propor um plano orçamentário visando a execução das ações aprovadas, entre outras.

No domingo, dia 19 de março, um acidente envolvendo um caminhão e um carro de passeio que estava no acostamento deixou duas crianças gravemente feridas e vitimou fatalmente um adolescente, próximo ao bairro Água Limpa. O acidente deixou moradores consternados, pois os jovens estavam sentados à beira da rodovia, à espera de socorro para o carro onde viajavam com os pais.

Existem locais que concentram altos índices de acidentes e mortes

Segundo informou o engenheiro Hérzio Geraldo Bottrel Mansur, apesar de todo o trecho observado apresentar alta periculosidade, existem locais que concentram altos índices de acidentes e mortes. Como por exemplo, o decurso entre os km 582 e Km 593 que registrou 88 sinistros, com 9 mortes, e entre os Km 611 e Km 617, onde há interface com a malha viária urbana e que apresentou 61 sinistros e 14 mortes. “São dados que mostram um cenário estarrecedor. Essa estrada não foi ajustada para as mudanças socioeconômicas potencializadas pelo seu eixo nas últimas décadas. É uma rodovia hostil, perigosa e letal, com 53 mortes em apenas 54 km, quase uma morte por quilômetro”, declarou.

Os dados revelados pelo engenheiro têm levado empresários e usuários da via a questionar entidades e o poder público para que providências sejam tomadas.
O atuante Movimento SOS 040, composto moradores de condomínios e do entorno da rodovia e usuários, está buscando apoio a lideranças políticas e formatando ações para sensibilizar as autoridades sobre o assunto, e realizando outras ações. Um dos questionamentos frequentes é com relação à competência da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) fazer a engenharia de tráfego de escoamento de minério no trecho de 98 km entre BH e Conselheiro Lafaiete, e quais as alternativas de transporte por ferrovia, uma vez que a rodovia recebe um volume de 1900 veículos por hora, sendo um terço deste contingente de carretas de minério.

População e usuários temerosos

Os altos índices de acidentes registrados na BR-040, independentemente da variação climática, têm deixado a população e usuários ainda mais temerosos. Apesar de privatizada, a rodovia apresenta trechos com problemas de estrutura, tráfego intenso de carretas carregadas de minério, pavimento com insuficiência de drenagem, geometria e sinalização muito precárias, oferecendo risco a quem trafega por ali. Com trechos sem duplicação, bastante sinuosos e separador de pistas, a estrada se tornou uma das que mais registra acidentes com vítimas fatais.

Um estudo minucioso elaborado pelo engenheiro civil Hérzio Geraldo Bottrel Mansur, morador de Belo Horizonte e usuário da BR-040, e que foi vítima de acidente, em 2019, envolvendo duas carretas sem sofrer ferimento, revelou dados bastante impressionados de ocorrências nos km 563 ao Km 617 da rodovia, no trecho entre o bairro Alphaville, em Nova Lima, até a cidade de Conselheiro Lafaiete. A pesquisa levou em consideração o fluxo de veículos e o número de vítimas fatais, número de sinistros e suas características em uma extensão de 54 km. O estudo, realizado durante dois anos – entre os anos de 2020 e 2022 -, mostrou que no trecho foram registrados 272 sinistros, com 53 mortes.

Os dados levantados mostram números bastante assustadores. No trecho dos 54 km analisados, foram registrados 120 sinistros e 25 vítimas fatais (em 2020) e 132 sinistros e 26 vítimas fatais (em 2022). A segunda-feira foi o dia da semana com o maior número de sinistros (49) e vítimas fatais (15). Os quilômetros onde ocorreram mais acidentes, por ordem são: os km 593, 614, 611, 588 e 565.

No levantamento, o engenheiro comprovou um ponto relevante de participação das carretas de minério nos sinistros. Segundo ele, dos 272 sinistros apontados, 127, ou seja 46,7%, contaram com a presença deste tipo de veículo. Dos 127, cerca de 28 aconteceram com vítimas fatais, representando 52,8% – mais da metade – de todos os 53 óbitos registrados em toda a planilha. De acordo com o engenheiro, apenas no Km 581, no período das 18h05m às 18h15m, cerca de 114 veículos passaram pelo local, sendo 44 carretas, ou seja, 27,85% dos usuários.

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5 Comments

  • Maicon Teixeira Costa
    27 de março de 2023, 14:57

    Já passou da hora de fazerem algo. Além de perigosos e fatais os caminhões de minério destroem os veículos pela sujeira que estes monstros deixam no asfalto. Detalhe. Rodovia privada sem fiscalização ou obra, só pega o dinheiro.

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  • Alair Ribeiro
    27 de março de 2023, 15:16

    Eu chamo essas enormes carretas, que fecham a 040 e andam em grandes velocidades, chamo de câncer das estradas: ela vai te pegar e vai te matar!

    REPLY
  • Alair Ribeiro
    27 de março de 2023, 15:18

    Eu chamo essas enormes carretas, que fecham a 040 e andam em grandes velocidades, chamo de câncer das estradas: ela vai te pegar e vai te matar!
    É um grupo que tem poder efetivo para solucionar esse grave problema para a população!

    REPLY
  • Helder
    4 de abril de 2023, 17:40

    Foi preciso um engenheiro usuário da Rodovia fazer um estudo aprofundado sobre o caos existente há anos nessa Rodovia privatizada, diga-se de passagem. Onde estão os Órgãos públicos que não tiveram a mesma iniciativa. Trafego por esse trecho da Rodovia há anos também, ja passei por tudo, é uma aventura passar por ela transformada em pátio das Mineradoras, enquanto vítimas estão enterradas, famílias destroçadas pela indiferença das autoridades.

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  • helder
    17 de agosto de 2025, 10:02

    Caminhoneiro autonomo foi o culpado por um acidente no trecho de Conhonhas,com vitima fatal, porem a poucos dias antes do acidente havia adquirido o veiculo de uma empresa vinculada a mineradora. Sem condicoes de responder pela indenizacao da vitima, saiu impune.

    REPLY

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