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Nova Lima exige de mineradoras medidas para redução dos impactos ambientais

Nova Lima exige de mineradoras medidas para redução dos impactos ambientais
Nova Lei estabelece que os empreendimentos minerários adotem medidas para redução dos impactos ambientais, como a utilização de estradas particulares, esteiras e ramais ferroviários, retirando assim centenas de carretas de minério das estradas municipais e até mesmo da BR-040. Também exige o fornecimento de relatório de área de extração e quantidade extraída diariamente.

O prefeito João Marcelo Dieguez, sancionou a Lei 3.128/24, de autoria do vereador e presidente da Câmara Municipal de Nova Lima, Thiago Almeida, que determina, entre outros, que os empreendimentos minerários no município adotem medidas para redução dos impactos ambientais, como a utilização de estradas particulares, esteiras, ramais ferroviários, entre outros, retirando assim centenas de carretas de minério das estradas municipais e até mesmo da rodovia BR-040. E dá um prazo de 120 dias para todos se adaptarem à nova legislação. A partir de agora, as mineradoras terão que apresentar um relatório identificando áreas de extração e de beneficiamento, quantidade extraída por dia, horários de funcionamento das minas e o tipo de modal que é utilizado para o transporte do minério.

Entre outras obrigações impostas na lei, as mineradoras terão que apresentar a rota de transporte, indicando vias públicas ou privadas a serem utilizadas, adotar de ações integradas entre as empresas como o compartilhamento de vias para redução do fluxo de veículos em estradas municipais, utilização de ramais, entre outros.

Segundo o prefeito, “a lei foi sancionada para a segurança e para salvar a vida das pessoas e visa redirecionar as carretas e caminhões de minério das rodovias que cortam Nova Lima, especialmente aquelas que utilizam a BR-040. Ela prevê que esses veículos passem a utilizar vias alternativas às rodovias que cortam nossa cidade. No entanto, vamos continuar fomentando o desenvolvimento da região, mas colocando a vida e segurança das pessoas em primeiro lugar”, destacou João Marcelo.

Com essa medida, a expectativa do governo é que muitas carretas sejam retiradas de circulação na rodovia BR-040. Os empreendimentos minerários que não apresentarem o relatório poderão ser embargados pelo órgão ambiental do município, e somente retomarão suas atividades após o cumprimento da obrigação legal.
A lei foi bem recebida pelos moradores que vêm lutando há por uma solução para rodovia e traz um novo alento para os usuários da BR-040.

Vereador justifica projeto

O autor da Lei, vereador Thiago Almeida (PSD) argumenta que a elevada circulação de caminhões nas vias municipais afeta a mobilidade urbana e impacta a saúde da população. E que os modais utilizados para transporte de minério em Nova Lima por meio de vias, correias e os terminais de embarque rodoviário e ferroviário precisam ser compartilhados entre as empresas com o objetivo de reduzir o fluxo de veículos.

“Há 20 anos não tínhamos carretas de minério circulando nas rodovias. E, embora não temos domínio sobre as vias federais, queremos diminuir a passagem de caminhões dentro do município. Para isso, as mineradoras precisam utilizar os terminais que estão parados, como Vargem Grande. Com isso, teríamos percursos menores a serem percorridos, ao invés de os caminhões se deslocarem em grandes trajetos, de 70 km a 120 km para entregar o minério. Eles passariam a utilizar as vias internas das mineradoras, sendo a grande maioria da empresa Vale”, explicou Thiago Almeida.

Município não tem conhecimento do número de viagens

Segundo o vereador, a partir dessa lei, a declaração de conformidade e operacionalização somente será concedida à empresa que enviar o relatório com as informações. “Há pátios de carregamentos com mais de 2 mil carretas e o município não tem conhecimento do número de viagens. Queremos ter ciência de toda a operação e, com isso, passar a fiscalizar. Como acontece em uma operação de terraplanagem, onde o empreendedor precisa declarar onde irá fazer o depósito de material, agora também será assim com a mineração, que precisará informar a origem e o destino de todo o material extraído”, explicou.

Thiago Almeida reforça que os terminais precisam ser operados e compartilhados por outras empresas para diminuir percursos e retirar caminhões da rodovia. “A Vale tem uma extensão de mina de mais de 50 anos. Tem um terminal fechado em Vargem Grande e a entrega do material se faz há mais de 70 km de distância. Ela utiliza o anel rodoviário, a BR 040 e traz mais poeira para áreas lindeiras como o Vale do Sol, enquanto poderia usar a estrada interna de sua propriedade para transportar o seu minério”, informou.

Segundo Thiago, não haverá comprometimento na produção e nem prejuízo para o caminhoneiro: “Pelo contrário, queremos otimizar o trabalho deles. Se hoje são feitos três carregamentos até o porto seco, com a redução do trajeto ele passa a fazer seis. A sua produtividade irá aumentar. Imagine o valor para transportar, os gastos dos veículos, o valor dos seguros. Estamos falando em reduzir trechos, aumentar o número de viagens e reduzir custos. Isso sem falar no mais importante que é a segurança na rodovia, pois a maioria dos acidentes envolve as carretas de minério. Além de termos estradas mais limpas e mais cuidadas”, destacou.

O vereador ressalta que “há 50 anos, o País tomou a pior decisão de extinguir o modal ferroviário. Não podemos esperar por mais 50 anos. Queremos que as mineradoras utilizem os ramais ferroviários existentes até que se construam outros. E, com isso, diminuía o trânsito de carretas nas estradas municipais”.

E concluiu Thiago Almeida: “Nós nova-limenses somos a favor da mineração, pois é nosso maior vetor econômico. Mas, essa atividade precisa ouvir a comunidade, está próxima, caminhar junto com a população. Somos a favor que aumente a atividade, mas também que se respeite o meio ambiente, os moradores e o município”.

Projeto de Lei tem apoio de moradores e usuários

O diretor da Associação de Moradores e Proprietários do Vale do Sol (APREVS), Luiz Fernando Diniz, vê o projeto com muita simpatia, uma vez que poderá mudar a realidade dos moradores da área de contorno do bairro, onde há tráfego intenso de carretas de minério. “Estas casas são impactadas diretamente com a poeira e lama deixadas pelos caminhões e pelas buzinas acionadas para o cumprimento entre os motoristas, o que acontece de dia e de noite. Já solicitamos até uma cortina arbórea para minimizar esse impacto. E, agora com nova pavimentação no bairro, a sujeira sobre o asfalto novo é algo que incomoda muito a todos os moradores”, destacou.

Já o engenheiro Hérzio Bottrel Mansur, que realizou um trabalho detalhado sobre o número de acidentes na BR-040, no trecho entre Alphaville e Congonhas, parabenizou a Câmara de Nova Lima por ser a caixa de ressonância da comunidade, exercendo a prerrogativa constitucional de autonomia local. “Esta atitude merece aplauso e que sirva de exemplo para outras câmaras municipais discutirem esse assunto em suas reuniões”, disse Hérzio.

Segundo ele, esta é talvez a decisão mais acertada, pois quebra a inércia da solução para a questão das carretas na BR-040. “Embora sabemos que a rodovia é federal e seu acesso não pode ser impedido, a utilização de estradas particulares é uma solução para a retirada de caminhões da BR. E trazer transparência do que é transportado, para onde, quando, por quem e para quem está sendo transportado poderá, inclusive, suprimir a ideia de uma solução paralela à 040”, informou.

Hérzio comenta que vê dificuldade para impor ao particular que sua estrutura seja de utilização conjunta. “Mesmo que tenha custo para quem utiliza a via, não é apenas uma questão de preço, mas sim de logística. Mas, entendo que esse compartilhamento de estrada abre espaço para as vias alternativas. E, ainda, ao saber a origem e o destino de todo o minério, o que é normal, contribui até mesmo para a realização de estudos de impacto ambiental na vizinhança, como barulho, poeira, entre outros. E, por último, pela questão tributária, pois impacta diretamente o cofre municipal”, concluiu.

Kátia Negreiros: “saímos da inércia, demos o primeiro passo”

“Para nós, que temos nossas vidas em risco cada vez que transitamos pelas vias públicas de Nova Lima e temos que disputar espaço diariamente com carretas enormes de minério e em quantidade absurda, esta nova lei do município de Nova Lima, que trata do transporte da produção mineral, já é uma inovação por si só ao tratar do tema, pois não há precedentes neste sentido em um setor quase que ‘intocável’, tomado pela desordem e pelo desmando quando nas vias públicas.”

A afirmação é da coordenadora do Movimento SOS BR-040 e moradora do Alphaville, Kátia Negreiros. Segundo ela, a lei tem seus pontos fortes e fracos, como em toda a lei. “Como ponto forte, vejo o fato e revelar ao poder público e ao cidadão comum, os dados, os números, o funcionamento do mundo inatingível do transporte de minério. E, fraco, que não será efetiva para retirar este transporte das vias públicas, mas pode mitigar de alguma forma”, explica a moradora.

Para Kátia, a nova lei irá revelar para a administração municipal e para sociedade, onde, como, quando e quanto se produz de minério por toda Nova Lima e, principalmente, revelará a estrutura existente e utilizada na logística do transporte desta produção toda e seu funcionamento. “E, ao mesmo tempo disciplina minimamente o assunto, define prioridades e inova com a imposição de servidão administrativa no setor, com critérios de circulação e remuneração para priorizar a utilização de vias privadas em detrimento das públicas. Em uma clara tentativa de mitigar o trânsito de carretas de minério nas vias públicas e em locais povoados. Isto de fato entendo que não ocorrerá, pois a lei trata apenas de priorizar esta alternativa e não de criar obrigações efetivamente através da imposição de condições a serem respeitadas e punidas com sanções severas caso não observadas, dentro do que é possível na esfera de competência municipal”, explicou.

Para ela, o fato de revelar oficialmente números, dados e fatos de um setor quase intransponível do transporte do minério, até então totalmente desconhecido, abre uma oportunidade sem precedentes para o controle social e para a criação de alternativas para esse tipo de transporte fora das vias públicas. “É a primeira medida efetiva e objetiva neste sentido. Porque, até então, temos muitas conversas, encontros, reuniões, proposições, intenções e nada, nenhuma medida concreta, objetiva foi apresentada para mitigar o transporte da produção mineral por vias públicas, seja em âmbito federal, estadual ou municipal”, declarou.

Katia explica que é preciso aguardar a regulamentação da lei para entender melhor sobre a eficácia dela. Mas, que de qualquer forma, em se revelando eficaz, a lei certamente servirá de inspiração para as casas legislativas dos demais municípios produtores de minério ao redor. “Chegamos em um ponto sem volta, a sociedade não suporta mais tentar sobreviver neste caos criado pela produção e transporte do minério, sem que seus interesses também sejam considerados pelo poder público e pela indústria minerária. Enfim, saímos da inércia, demos o primeiro passo”, enfatiza a moradora.

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