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Moradores têm participação efetiva na Consulta Pública do Projeto do Parque da Linha Férrea

Moradores têm participação efetiva na Consulta Pública do Projeto do Parque da Linha Férrea
Entre os presentes, o clamor mais forte foi sentido através do movimento de moradores favoráveis ao Projeto, que se mostraram receptivos à iniciativa, ratificando que as intervenções previstas precisam se tornar realidade para aliviar um problema crônico de trânsito, promover a qualidade de vida e a requalificação urbana local.

A segunda e última Consulta Pública do Projeto do Parque da Linha Férrea realizada no último dia 30, pela Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de BH contou com a participação de cerca de 300 pessoas, entre elas, entidades representativas, empresários, poder público, moradores da região e a população de um modo geral. O debate, que teve por objetivo discutir as iniciativas do projeto para promover soluções de ocupação para a faixa de terreno do antigo ramal ferroviário de Águas Claras, foi marcado pelos momentos de fala bastante inflamados.

Durante toda a apresentação e também na fase das contribuições de participantes inscritos para as falas, o clamor mais forte foi sentido através do movimento de moradores favoráveis ao Projeto, com a maioria dos presentes mostrando-se receptiva à iniciativa, ratificando que as intervenções previstas poderão aliviar um problema crônico de trânsito, além de promover mais qualidade de vida e requalificação urbana.

Os consultores técnicos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto conceitual do Parque da Linha Férrea apresentaram o projeto e esclareceram dúvidas sobre o escopo preliminar para os participantes. Após a explanação, os organizadores ouviram e receberam contribuições dos presentes para as análises, fundamentais para observação dos pontos de consenso e divergência, e dessa forma podendo subsidiar a tomada de decisão. Além das experiências apresentadas por moradores sobre as dificuldades de locomoção na região e o dia a dia no trânsito, vários questionamentos foram feitos por alguns participantes e representantes de ONGs e movimentos, a maioria não moradores da região.

Travessias de pedestres

Um dos questionamentos veio de uma representante de uma ONG, sobre a instalação da avenida parque em área ocupada por uma população quilombola, o que contrariava a lei. De acordo com os responsáveis pelo projeto, a via projetada não se caracteriza como rodovia, e sim como avenida. E, dessa forma, não há raio de restrição de delimitação de distância para a terra quilombola descrita. Ou seja, o impedimento se daria apenas para empreendimentos em áreas próximas à rodovia.

Sobre as travessias de pedestres entre o Vila da Serra e o Belvedere, que são consideradas importante solução para incentivar os deslocamentos a pé ou de bicicleta, configurando assim uma mobilidade ativa, a solução adotada no projeto conceitual foi não criar túneis e sim passagens sem cobertura, arejadas e iluminadas. O que evitaria que o local se tornasse abrigo para mendigos, de usuários de droga e local de sujeira.

Área de recarga de aquífero

Em relação aos questionamentos sobre o fato de a avenida ser construída em área de recarga de aquífero, o urbanista e paisagista mexicano, Marco Nieves, explicou que o parque está localizado em uma área de transição ecológica entre Mata Atlântica e Cerrado, região de elevada sensibilidade ambiental e de importância estratégica para a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos. Segundo ele, “o terreno atualmente apresenta características que comprometem significativamente a capacidade de infiltração da água no solo e agravam os problemas hidrológicos locais. Um inventário florístico (PIA) que fizemos mostra que aproximadamente 75% da área encontra-se antropizada e sem cobertura vegetal nativa, o que impacta negativamente os processos de interceptação e infiltração da água da chuva. A topografia da área, marcada por cumeeiras com taludes íngremes, favorece o escoamento superficial, acelera a erosão e dificulta a percolação da água para os aquíferos subterrâneos”, informou.

Nieves ressalta que os ensaios de caracterização geotécnica indicam a presença predominante de canga de minério de ferro, um solo altamente compactado e de baixa permeabilidade, o que limita a absorção hídrica e restringe o desenvolvimento da vegetação. “Esse cenário reduz significativamente a evapotranspiração vegetal e contribui para o aumento do volume de escoamento superficial, dificultando também a filtragem natural de poluentes difusos. Frente a isso, propomos uma série de ações com foco na requalificação ambiental da área, visando a melhoria da qualidade do solo, o aumento da capacidade de infiltração, a recuperação da biodiversidade local e o controle de espécies exóticas invasoras, que ameaçam os ecossistemas naturais adjacentes”, ressaltou.

Sobre as estratégias de mitigação e qualificação da recarga aquífera ele explicou que o projeto adota como diretrizes principais o paisagismo multifuncional e as Soluções Baseadas na Natureza (SbN), com o objetivo de restaurar a funcionalidade ecológica do solo e reequilibrar o ciclo hidrológico. Entre as ações estão: “a descompactação das camadas superficiais do solo e sua reestruturação física e biológica, promovendo a formação de solo vivo com maior capacidade de infiltração, retenção hídrica e trocas gasosas; a revegetação com espécies nativas adaptadas às condições edáficas locais, priorizando aquelas com sistemas radiculares profundos e ramificados, que favorecem a macroporosidade do solo e a percolação da água da chuva até os aquíferos subterrâneos.

Mobilidade

Em relação à mobilidade, ao fato de avenida parque não oferecer uma solução definitiva para o trânsito na região, o especialista em trânsito Osias Batista, destacou que a avenida parque não é uma solução única e isolada, mas faz parte de um conjunto de oito obras viárias planejadas para desafogar o tráfego na região como a Estrada Nova Lima Sabará, a Estrada Rio de Peixe – ligando a MG-030 ao Jardim Canadá -, e a Avenida Flávio Pentagna Guimarães. Osias explicou que o projeto está inserido em um complexo viário mais robusto que prevê o alargamento Pontilhão MG-030 – Posto Fernanda, o Viaduto Ferradura ligando a MG-030 à BR-356, a obra no trevo do BH Shopping/Viaduto, e o alargamento da Alça da Leroy Merlin.

Implantação de VLT

Entre os representantes de ONGs presentes na ocasião, houve um pedido para que o projeto priorize apenas o Parque, excluindo a construção da Avenida e incluísse a implantação de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Na ocasião, a equipe de consultores esclareceu que o termo do acordo assinado prevê uma solução de mobilidade para a faixa de terreno pertencente à SPU (Secretaria de Patrimônio da União) entre a BR-356 e a avenida da Mina de Água Claras. E a construção de um VLT somente nesse trecho, não solucionaria a questão da mobilidade para a região. Por outro lado, a via proposta liga diretamente os bairros do entorno e o Vila da Serra à BR-356, evitando o congestionado Trevo do BH Shopping.

Os consultores destacaram, ainda, que o projeto da Avenida Parque não inviabiliza uma futura implementação de VLT, mantendo assim a possibilidade de ampliação do transporte coletivo no futuro.

Próximo passo

Terminada a fase das consultas públicas, os municípios de Nova Lima e Belo Horizonte entregam o projeto à Superintendência de Patrimônio da União (SPU) para que todos os documentos sejam lançados no SISREI, uma ferramenta eletrônica administrada pela SPU e destinada ao lançamento e controle de consultas e requerimentos de imóveis da União efetuados por entes públicos (federais, estaduais e municipais) e entidades sem fins lucrativos. Após o recebimento da documentação, a Superintendência do Patrimônio em Minas terá o prazo de 60 dias para análise detalhada da documentação com as contribuições recebidas. Na etapa seguinte desse processo, caso o projeto de utilização dos imóveis e demais documentos sejam aprovados pela União e havendo deliberação favorável, é então celebrado um contrato de Cessão de Uso Gratuito de Bens. E esse formaliza a cessão gratuita do imóvel para o uso específico previsto no projeto aprovado e nas premissas do Termo de Acordo assinado com o Ministério Público, no ano passado.

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