A Câmara Municipal de Nova Lima inaugurou, no último dia 2 de julho, a exposição “Nossa gente, nossa história”, que homenageia personalidades negras fundamentais para o desenvolvimento cultural, social e político da cidade.
A abertura da exposição, realizada no plenário da Casa, reuniu vereadores, familiares, homenageados e representantes da sociedade civil. Participaram da cerimônia o presidente da Câmara, vereador Thiago Almeida, os vereadores Pedro Dornas e Viviane Matos, além dos homenageados Ademir Marques (Pelé), Edna Jacinto, Mônica Jacinto e Milton Damásio. Também estiveram presentes Jorge Pimenta, representando José Gomes Pimenta (Dazinho); Marise Gomes, representando Dona Maria Cesário; Maria Victoria, representando Wilson Alexandre; a coordenadora de projetos da Câmara, Juliana Rocha; a coordenadora da Escola do Legislativo, Tatiana Dias; e os idealizadores da exposição, Mariana Campos e João Pedro (Pelezinho).
Promovida pela Escola do Legislativo, a exposição resgata memórias e valoriza histórias que, por muito tempo, foram silenciadas nos espaços de poder. A iniciativa, que começou a ser construída em maio deste ano, integra as ações da Câmara em prol da diversidade e da representatividade. Para Juliana Rocha, coordenadora de projetos da Casa, a exposição é fruto de um esforço coletivo: “Este projeto só foi possível porque muitas mãos se uniram. Os movimentos de pessoas negras se tornaram patrimônio da nossa cidade”.
Um dos idealizadores, João Pedro (Pelezinho), contou que a proposta surgiu da ausência de referências negras nos espaços públicos e institucionais da cidade: “Nova Lima é uma cidade majoritariamente negra. E esta é a casa do povo. Existe lugar melhor para valorizar a nossa história e nossa cultura?”.
Mariana Campos, também idealizadora, reforçou a importância da iniciativa para o fortalecimento da autoestima de crianças e jovens: “Muitos alunos não conseguiam se reconhecer em suas origens, especialmente diante das desigualdades e da falta de exemplos positivos. Esta exposição é um passo importante para mudar isso”, avaliou.
Entre os homenageados, Ademir Marques (Pelé) destacou a urgência de ocupar os espaços e provocar as transformações necessárias. “Essa visibilidade vai incomodar, sim, porque precisamos abrir espaços. E é assim que deve ser”, afirmou.
Outra homenageada, Edna Jacinto lembrou da luta contínua do povo negro por condições dignas. “Queremos ser reconhecidos e pertencer. Não buscamos ser iguais a todos, mas ter os mesmos direitos.”
Também homenageadas, Mônica Jacinto trouxe uma reflexão profunda sobre a invisibilidade: “Aprendi que o que é pouco visto causa estranheza. Imagine então o que é invisível. Assim é o povo negro em Nova Lima.”
Milton Damásio relembrou a construção do movimento negro na cidade, desde a fundação do grupo Ébano até as ações educativas nas escolas, muitas vezes enfrentando resistência: “Negritude não é cor de pele. É atitude. É dar o primeiro passo, é ter coragem de enfrentar.”
O presidente da Câmara, vereador Thiago Almeida, reforçou o compromisso com a inclusão e a participação popular. “Quando cheguei aqui, meu compromisso era abrir as portas da Câmara. Fizemos isso e vamos continuar fazendo. Esta Casa precisa ser, cada vez mais, a casa do povo”, declarou Thiago Almeida.
O público pode visitar a exposição até o dia 3 de agosto, na galeria de artes da Câmara Municipal de Nova Lima, no centro da cidade.

























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