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Vetor Sul precisa buscar o equilíbrio entre crescimento urbano e preservação ambiental

Vetor Sul precisa buscar o equilíbrio entre crescimento urbano e preservação ambiental

O arquiteto e urbanista, Sérgio Myssior afirma que o crescimento da região foi impulsionado pela busca por novas centralidades e por um modo de vida mais tranquilo, o que estimulou a expansão de condomínios e loteamentos de padrão elevado em Nova Lima. Porém, precisa “avançar para um território metropolitano que não seja apenas um polo concentrador, mas uma rede equilibrada de centralidades”.


Com uma visão integrada entre urbanismo, meio ambiente e sustentabilidade, o arquiteto e urbanista, Sérgio Myssior, mestre em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável, destaca-se como uma das principais vozes na discussão sobre o futuro das cidades e o desenvolvimento equilibrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com vasta trajetória na gestão ambiental, planejamento urbano e políticas de adaptação às mudanças climáticas, ele atua como presidente do Instituto Bem Ambiental (IBAM), membro do Conselho Curador da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica de Belo Horizonte e comentarista especializado em urbanismo e sustentabilidade na Rádio CBN e no programa URBI, da TV Cultura.

Em entrevista, o especialista traça um panorama sobre os desafios e oportunidades do Vetor Sul, especialmente na interface entre Belo Horizonte e Nova Lima, região marcada por contrastes e pela ausência de um planejamento metropolitano integrado em governos anteriores. “A Região Metropolitana de Belo Horizonte é composta por 50 municípios que compartilham dinâmicas comuns, mas também enfrentam realidades muito distintas. São mais de cinco milhões de habitantes convivendo com as mesmas fragilidades que se repetem em grandes aglomerações urbanas brasileiras — sobretudo um modelo de desenvolvimento urbano que empurra as famílias de baixa renda para as áreas mais distantes das oportunidades de trabalho e de renda”, explica Sérgio Myssior.

Segundo ele, esse modelo produziu um fenômeno de espraiamento urbano, no qual parte significativa da população da Região Metropolitana vive em municípios-dormitórios e depende diariamente da capital para acessar serviços de saúde, educação, cultura e emprego. Esse processo gera desafios importantes para a mobilidade, para o planejamento regional e para a qualidade de vida metropolitana.

‘Priorizar a mobilidade e o transporte público”

Outro ponto de atenção é o equilíbrio entre crescimento urbano e preservação ambiental. A região do vetor sul abriga recursos hídricos, fauna, flora e paisagens de alto valor ecológico, além de ainda conviver com a atividade mineradora, que tem prazo de vida e vem exigindo que Nova Lima e outros municípios diversifiquem sua base econômica. “O primeiro risco, se não houver planejamento, é o colapso da mobilidade. O Vetor Sul só alcançará um desenvolvimento sustentável se priorizar a mobilidade e o transporte público, a diversidade de renda e uma governança metropolitana efetiva, capaz de integrar municípios, sociedade civil e setor privado em torno de um projeto comum”, reforça Sérgio Myssior.

Para ele, o momento é decisivo: “Precisamos de ousadia e agilidade. É hora de organizar uma governança intermunicipal forte, que garanta continuidade e implementação, independentemente das mudanças de governo. A sociedade civil deve ser guardiã desse processo. Somente assim poderemos transformar nossa metrópole em um território mais equilibrado, sustentável e com qualidade de vida para todos.”

“Equilibrar oferta de serviços e qualidade de vida”

No caso do Vetor Sul, a situação é ainda mais emblemática. O crescimento da região foi impulsionado pela busca por novas centralidades e por um modo de vida mais tranquilo, o que estimulou a expansão de condomínios unifamiliares e loteamentos de padrão elevado em Nova Lima. “Esse movimento ocorreu em um ritmo acelerado e nem sempre acompanhado pela mesma velocidade na ampliação de infraestrutura, criando a necessidade de ações coordenadas entre os municípios e o Estado para equilibrar oferta de serviços e qualidade de vida”, afirma Myssior.

“O Vetor Sul não é fruto de uma dinâmica urbana própria de Nova Lima, mas de um reflexo direto da Capital. O desenvolvimento se deu de forma fragmentada, gerando gargalos visíveis em temas como mobilidade, saneamento, meio ambiente e logística urbana”, observa Sérgio Myssior.

O especialista reforça que o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) da RMBH já indica caminhos para superar esses desequilíbrios, apostando na criação de novas centralidades metropolitanas — territórios capazes de concentrar moradia, emprego, serviços, educação, cultura e lazer, reduzindo a dependência do centro de Belo Horizonte. “Precisamos avançar para um modelo policêntrico, onde o território metropolitano não seja apenas um polo concentrador, mas uma rede equilibrada de centralidades. Isso exige diversidade de uso, de renda e de oportunidades locais”, defende.

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