Desta vez, o modelo que passou pela nossa avaliação foi o Citroën XTR 2026. A marca francesa, que atualmente pertence ao grupo Stellantis, recuperou o nome (XTR) usado em modelos da Citroën nos anos 2000 e realizou algumas pequenas mudanças para dar ao Citroën XTR 2026 uma aparência de aventureiro esportivo e um ar mais robusto, tanto externa quanto internamente, incluindo suspensão elevada e pneus de uso misto.
Mesmo sem alterações mecânicas, a Citroën aproveitou a linha 2026 para reposicionar o C3 com mais equipamentos que vinham sendo cobrados pelos consumidores. Com preço sugerido de R$ 88.990, o C3 XTR se coloca entre os compactos de entrada mais equipados. Mas, por outro lado, ficou faltando um pacote de segurança mais recheado.
O Citroën C3 XTR aposta em uma “roupagem trilheira” que funciona bem na prática. Adesivos no capô, detalhes em verde nas portas, rack de teto funcional e rodas de 15 polegadas pintadas em grafite ajudam a criar uma identidade própria. Com suspensão elevada e pneus de uso misto, que é uma raridade nessa faixa de preço, reforçam a boa pegada aventureira do modelo, que, embora não seja um off-road, mostrou desenvoltura ao rodar por estradas de terra de piso ruim. Na traseira, o conjunto se limita a logotipos escurecidos e o nome da versão. O porta-malas segue com ótimos 315 litros, um dos pontos mais fortes do modelo — embora ainda não exista rebatimento fracionado do encosto.
Numa clara tentativa de refinar o interior do Citroën C3 XTR, o painel recebeu revestimento acolchoado, as costuras verdes ajudam na diferenciação e a central de 10 polegadas, agora melhor integrada, continua sendo um dos melhores equipamentos do segmento. A principal novidade é o quadro de instrumentos digital de sete polegadas, finalmente alinhando o Citroën C3 ao que os clientes pediam há anos. Ar-condicionado digital e volante revestido em couro completam o pacote. Por outro lado, persistem alguns velhos problemas. A Citroën manteve os comandos dos vidros traseiros no console central — uma economia que compromete a ergonomia e poderia ter sido resolvida sem grande esforço técnico. O ajuste de profundidade do volante também faz falta.
Em termos de conforto interno, o Citroën C3 XTR segue um dos mais espaçosos da categoria. O entre-eixos de 2,54m garante conforto para dois adultos no banco traseiro, e a oferta de duas portas USB-C para a segunda fileira é bem-vinda. O acabamento, porém, continua devendo um pouco. Enquanto a parte dianteira recebeu atenção, as portas traseiras permanecem básicas, reforçando a sensação de economia em áreas menos visíveis.
Debaixo do capô do Citroën C3 XTR, está o já conhecido 1.0 Firefly de 75cv, sempre com câmbio manual de cinco marchas. Para quem roda majoritariamente na cidade, o conjunto entrega aquilo que se espera: elasticidade, respostas suficientes em baixa velocidade e engates suaves. Quando o assunto é estrada, contudo, o fôlego é um pouco curto. Com o carro carregado, ultrapassagens exigem planejamento e reduções constantes. A terceira marcha é a mais útil nesse cenário, garantindo alguma agilidade acima dos 4.000rpm. O consumo é um dos destaques: mesmo com pneus de uso misto, o hatch apresenta boas médias, tanto na cidade quanto na estrada. Com gasolina, somente o motorista e ar ligado, o computador de bordo registro médias de 11,2km/l na cidade e de 15,8km/l na estrada.
A suspensão do C3 sempre priorizou o conforto e continua assim na versão XTR. Ela absorve bem as imperfeições e oferece bom isolamento para buracos urbanos — algo positivo considerando o uso misto dos pneus. Por outro lado, o isolamento acústico poderia ser um pouco melhor para reduzir o nível de ruídos internos, especialmente quando se roda em pisos com muitos buracos. Com relação ao pacote de segurança, o Citroën C3 XTR continua devendo em equipamentos. Enquanto a maioria dos concorrentes conta com quatro airbags, o modelo com apenas duas bolsas.

























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