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Projeto desenvolvido no Belvedere representa Minas na 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira

Projeto desenvolvido no Belvedere representa Minas na 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira

O Projeto “Pavilhão Minas Gerais”, desenvolvido para a 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira, que ocorrerá em São Paulo (SP), em 2026, foi idealizado pelas arquitetas Maria Angélica Teixeira de Araújo e Ana Elizabeth Lodi, e por Tiago Pereira Alves, estudante de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas. A proposta nasce a partir de uma leitura do morar mineiro na contemporaneidade, considerando a formação cultural de Minas Gerais ao longo da história — um território onde, desde o barroco, as curvas de Oscar Niemeyer se encontram em diferentes escalas, do mobiliário às artes e à arquitetura.

De acordo com os idealizadores, essa leitura parte do entendimento de que a cultura mineira não é estática nem restrita a um conjunto fixo de símbolos. Ao longo do tempo, Minas Gerais construiu uma identidade complexa, formada por camadas históricas, artísticas e arquitetônicas que se sobrepõem. Do período colonial às produções modernas e contemporâneas, o Estado sempre manteve uma relação próxima entre tradição e reinvenção. O projeto dialoga com esse processo contínuo de transformação, reconhecendo o passado sem se prender a ele.

Morar mineiro contemporâneo

A proposta integra a Bienal de Arquitetura Brasileira, evento que reúne projetos, exposições e debates dedicados à produção arquitetônica contemporânea no país. A Bienal se consolida como um espaço de reflexão sobre os rumos da arquitetura brasileira, promovendo o encontro entre profissionais, estudantes e o público em geral, além de incentivar o diálogo entre diferentes regiões, repertórios e gerações.

Dentro desse contexto, o projeto busca contribuir com uma leitura do morar mineiro contemporâneo, entendido não como uma imagem cristalizada, mas como um modo de viver que absorve referências externas sem perder sua base cultural. O mineiro retratado no projeto é atento ao mundo e às suas tendências, consome informação, circula por diferentes cidades e culturas, mas mantém uma relação forte com sua origem e com sua forma própria de habitar.

O personagem escolhido para habitar o ambiente foi o designer e arquiteto Marcelo Alvarenga, conhecido como “Play”. Ele representa esse perfil de mineiro contemporâneo: alguém que poderia habitar um estúdio de 100 m2 em São Paulo, mas que carrega consigo um modo de viver e de ocupar o espaço que dialoga diretamente com a cultura mineira. Essa escolha ajuda a romper com estereótipos recorrentes associados a Minas Gerais.

De acordo com os idealizadores, embora a cozinha permaneça como elemento importante, ela não é tratada como símbolo isolado ou caricatural. Mesmo ocupando posição central, é concebida como uma cozinha de estar, integrada e em diálogo com o restante do espaço. A decisão reforça a ideia de convivência e uso cotidiano, afastando leituras genéricas ou padronizadas do morar mineiro.

A paleta de cores e materiais dialoga diretamente com o universo das artes e da arquitetura local. O projeto incorpora referências a nomes marcantes da produção artística mineira, como a eternizada Ana Horta, além de pinturas aplicadas nas paredes que transitam entre o dourado e o clássico papel-picado da Suvinil, amplamente conhecido e utilizado por arquitetos de Belo Horizonte. Esses elementos aparecem como camadas que ajudam a construir a atmosfera do ambiente, sem recorrer a citações literais.

As escolhas cromáticas e materiais buscam equilibrar tradição e contemporaneidade, reforçando a ideia de continuidade cultural. O espaço reconhece sua origem, mas se posiciona de forma atual, dialogando com o presente e com as formas contemporâneas de morar.

Inserido no contexto da Bienal de Arquitetura Brasileira, o projeto se apresenta como uma reflexão sobre identidade, cotidiano e espaço. Mais do que representar Minas Gerais de forma literal, a proposta busca discutir como essa identidade se manifesta hoje, em diálogo com outras cidades, culturas e modos de vida.

No Belvedere

O desenvolvimento do projeto aconteceu no próprio Belvedere, na casa da arquiteta Angélica Araújo. Foi nesse espaço que as reuniões, os desenhos e as decisões foram sendo construídos ao longo do processo. O bairro aparece como pano de fundo do trabalho, como o lugar onde o projeto foi pensado, amadurecido e consolidado. O cotidiano do desenvolvimento se deu de forma natural, acompanhando o ritmo do processo criativo e das trocas entre a equipe.

Segundo eles, esse modo de trabalho esteve diretamente ligado ao fato de o projeto ter sido desenvolvido em casa. “Fora da lógica de um escritório tradicional, o ambiente doméstico acabou se integrando naturalmente ao processo, aproximando o desenvolvimento do projeto da própria discussão sobre morar presente ao longo do texto. Essa condição não se transforma em conceito nem em narrativa formal do pavilhão, mas influencia o ritmo e a forma como as decisões foram tomadas. Inserido no Belvedere, esse contexto contribuiu para um processo mais contínuo e atento, no qual o espaço vivido influenciava o pensar e o projetar sem se impor como tema”, defende os criados do projeto.

Durante esse período, o Belvedere também se mostrou um dos pontos em que encontrei maior paz e serenidade para projetar, especialmente em comparação com outras regiões mais intensas e ruidosas de Belo Horizonte. A atmosfera mais silenciosa e o ritmo mais contido do bairro favoreceram a concentração, o diálogo e o amadurecimento das decisões. Entre noites viradas e dias em que o trabalho avançava até o fim da tarde, o bairro oferecia uma sensação de acolhimento rara no cotidiano urbano. Em muitos momentos, o pôr do sol marcava naturalmente as pausas e os encerramentos do dia, reforçando o caráter aconchegante do lugar e sua importância no processo de criação.

Essa relação se torna ainda mais significativa quando observada em paralelo ao espaço apresentado na Bienal, concebido como um “apartamento estúdio de 100 m2”. “A escala doméstica do projeto dialoga diretamente com o contexto em que ele foi desenvolvido: um bairro em constante expansão e atualização, onde novas formas de morar, trabalhar e viver a cidade se realizam cotidianamente. Ao mesmo tempo em que concentra a realização de tendências contemporâneas, o Belvedere também se apresenta como um lugar propício para pensar o morar mineiro e traduzi-lo para dentro de casa, em um espaço compacto, urbano e conectado ao modo de vida atual.”

Nesse percurso, alguns espaços do bairro passaram a integrar a dinâmica de trabalho. O “Botânico Shopping”, projeto do arquiteto David Guerra, amigo da equipe, foi utilizado como ponto de encontro e pausa entre uma etapa e outra do desenvolvimento do projeto. Esses momentos fora do ambiente de trabalho direto funcionaram como intervalos importantes, permitindo distanciamento e reflexão ao longo do processo. Já a confeitaria “Du Pain” representou o principal ponto de descanso e lanches ao longo do desenvolvimento do projeto, integrando-se de maneira prática à rotina de trabalho.

Tiago Pereira Alves / Estudante de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas. Membro da equipe de autores do Projeto “Pavilhão Minas Gerais” que vai participar na 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira – @perealtino @tiagopalvesa

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