A Sudecap informou que a fase de fechamento da área com instalação de tapumes metálicos, supressão vegetal arborizada e limpeza do terreno, prepara o espaço para a contenção em terra armada e ampliação da via com posterior pavimentação.
A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) da Prefeitura de Belo Horizonte informou que as intervenções para implantação da terceira faixa de tráfego no Trevo do Belvedere, ao lado do BH Shopping, avançaram até o trecho próximo à Lagoa Seca. E que nesse momento, inicia-se a fase de fechamento da área com instalação de tapumes metálicos, supressão vegetal arborizada e limpeza do terreno, preparando o espaço para a contenção em terra armada e ampliação da via com posterior pavimentação.
A instalação de tapumes metálicos na lateral da Lagoa Seca pelas equipes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) causou curiosidade e até mesmo temor aos moradores sobre a possibilidade de cortes de algumas espécies de árvores no local. Em defesa do verde em volta do espaço, a Associação de Amigos do Bairro Belvedere (AABB) retornou à busca por apoio junto ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), na tentativa de impedir que essa ação se concretize. Segundo a Sudecap, a supressão vegetal no local está autorizada e esta será compensada com o plantio de mudas correspondente a quatro vezes o número de espécies suprimidas.
AABB discorda
O presidente da AABB, Ubirajara Pires, se posicionou sobre as últimas ações da PBH no bairro, dizendo que o projeto que está sendo executado não condiz com a realidade do trânsito no bairro, e que, portanto, não haveria necessidade de intervenção ambiental na área da Lagoa Seca. “O trânsito maior que temos aqui vem da MGS-356, da altura do empreendimento Leroy Merlin até o trevo do BH Shopping, o que ocorre desde cedo, trazendo gargalo nas alças do trevo. Outro ponto de contenção é no encontro com a Raja Gabaglia até ao cruzamento com a Avenida Barão Homem de Mello. Estão abrindo uma via na entrada do viaduto para vazão de veículos para a Avenida Nossa Senhora do Carmo, que não irá surtir nenhum efeito. Pois, não temos congestionamento aqui no Belvedere”, declarou.
Moradora da Rua Sebastião Fabiano Dias, Beatriz Guimarães é uma observadora das transformações do bairro. Diariamente, ela faz caminhada na orla da Lagoa Seca, de onde acompanha o processo do projeto de mobilidade no Belvedere. Segundo ela, “o desenvolvimento pede passagem. O volume de veículos aumentou muito no bairro com a nova permissão de uso que possibilitou os novos comércios e serviços, além de empreendimentos na região vizinha. Sou a favor de criar soluções para tirar as pessoas do trânsito, melhorando o ambiente. Mas, entendo que a PBH deveria realizar a supressão de forma diferenciada, usando a técnica de transplante de árvores. Remove a espécie e a replanta em outro local no bairro, preservando sua integridade. Lembrando sempre dos cuidados especiais para esse replantio como adubação e irrigação para garantirem a sua sobrevivência”, destacou a moradora.
PBH: obras continuam
Sobre o alargamento do tabuleiro do viaduto em lado oposto à entrada para a Avenida Nossa Senhora do Carmo, a Sudecap informou apenas que “continuam em andamento os serviços de execução dos elementos de fundação da estrutura necessária para o alargamento do viaduto, que darão sustentação à ampliação projetada”, mas não prestou outros esclarecimentos. O fato é que o próprio Ministério Público havia informado aos moradores sobre uma mudança no projeto, o que também foi observado por especialistas de trânsito sobre esse alargamento no tabuleiro do viaduto, que poderia ser mais uma faixa de circulação.
Em relação aos trabalhos da Comissão instituída por Portaria Conjunta SMOBI/SUDECAP 35/2025, responsável por analisar documentos, fatos e manifestações da empresa contratada, a Sudecap esclareceu que o acompanhamento dos trabalhos está em andamento. Em nota enviada ao JORNAL BELVEDERE informou: “Vale esclarecer que a legislação exige que qualquer apuração desse tipo seja conduzida com rito formal, comissão designada e garantia do direito de defesa. A abertura desse tipo de processo tem como objetivo apurar possíveis descumprimentos contratuais por parte da empresa responsável pela execução da obra. A partir dessa apuração, a Administração pode avaliar a aplicação de sanções administrativas e, se for o caso, a extinção unilateral do contrato.”
Ainda segundo a Sudecap, a instauração do processo não representa, por si só, julgamento ou condenação, mas sim o início de uma apuração técnica e administrativa, assegurando transparência, legalidade e proteção ao interesse público na execução de obras de infraestrutura da cidade. E ressaltou que a Comissão e o órgão municipal “têm feito esforços contínuos para que o processo tramite da forma mais célere possível, observando-se, simultaneamente, o rito procedimental e o rigor jurídico”.
A morosidade no avanço da obra levou à PBH a instituir, no mês de junho de 2025, uma Comissão de trabalho, que por sua vez ficaria responsável por apurar possíveis descumprimentos contratuais por parte da empresa responsável pela execução da obra. A partir do trabalho de apuração seria avaliada a aplicação de sansões administrativas, caso necessário, e até mesmo a extinção unilateral do contrato.
























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