O professor e pesquisador Adriano Gianturco avalia o desenvolvimento da região e propõe um novo modelo urbano para o crescimento do Vetor Sul, em Nova Lima e Belo Horizonte.
O professor e pesquisador Adriano Gianturco, doutor em Ciência Política pela Università di Genova, mestre em Relações Internacionais pela Università di Torino e bacharel pela Università Roma Tre, foi um dos grandes destaques do TEDxBH 2025, realizado em Belo Horizonte, com uma palestra que provocou reflexão sobre o futuro das cidades. Com o tema “Sustentabilidade e Densidade Urbana”, Gianturco apresentou uma visão inovadora sobre o planejamento urbano e concedeu entrevista exclusiva ao Jornal Belvedere, na qual fez uma avaliação sobre o desenvolvimento do Vetor Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte, defendendo que a região — embora em expansão — ainda pode crescer de forma mais densa, sustentável e humana, sem o Coeficiente de Construção.
Atualmente Dean do curso de Relações Internacionais do IBMEC, o especialista é autor dos livros A Ciência da Política e L’imprenditorialità di Israel Kirzner: L’etica della proprietà e la moralità del profitto nel libero mercato imperfetto. É membro do Laboratorio di Analisi Política (LUISS), do Competere Institute, do Centro Tocqueville-Acton e do Comitê Científico da revista Mises. Sua pesquisa transita entre o empreendedorismo unindo o pensamento político, econômico e urbano.
O foco deveria ser o adensamento
No TEDx e nesta entrevista, Gianturco trouxe ao debate a interdependência entre mobilidade, urbanismo e bem-estar social, apontando a densidade urbana como a variável mais subestimada no desenvolvimento das cidades contemporâneas.
“Uma cidade projetada para carros gera mais trânsito, o que demanda mais ruas, mais estradas e mais infraestrutura. Só que, ao ofertar mais ruas e estradas, geramos mais pessoas dirigindo. Está comprovado que quando se criam mais vias, cresce o número de automóveis. É um paradoxo urbano clássico”, explicou.
Para o especialista, o foco deveria ser o adensamento e não a expansão horizontal: “Quando falamos de densidade, falamos de gente próxima, é vida entre os edifícios, é diversidade de usos e movimento nas calçadas”, resumiu.
Gianturco analisa que o Vetor Sul, com bairros como Belvedere, Vila da Serra, Vale do Sereno e Lagoa dos Ingleses é um caso de crescimento vertical, mas não denso. “Temos torres altíssimas separadas por grandes recuos frontais, laterais e pilotis. São bairros onde encontramos mais carros e não pedestres. No caso do Belvedere, convivem dois extremos: de um lado, o modelo antigo de casas com quintais e jardins, que parecem sustentáveis, mas dependem de automóveis e geram espraiamento urbano — um tipo de crescimento pouco denso, que deixa vazios entre áreas ocupadas. Do outro lado, arranha-céus isolados em meio a estacionamentos e pilotis, igualmente voltados ao carro. Em ambos os casos, a densidade é baixa.”
O pesquisador defende que o ideal para o Vetor Sul seria rever a legislação urbanística, retirando o coeficiente de construção sem afastamentos e sem pilotis, e adotando o uso misto, com comércio ativo no térreo. “Essa configuração gera uma cidade caminhável, que mistura funções e aproxima pessoas. É dessa ideia que nasce o conceito de ‘cidade de 15 minutos’ (criado pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno), um modelo urbano que busca garantir que os cidadãos tenham acesso a trabalho, comércio, lazer, saúde e educação em até 15 minutos de caminhada ou pedalada de suas casas.”
De acordo com Gianturco, esse formato urbano melhora a qualidade de vida, reduz a dependência de carros e promove mais segurança, porque “uma cidade viva tem mais olhos na rua e, portanto, mais vigilância natural”. Ele ressalta ainda que, além de eliminar o coeficiente de construção, seria importante “criar lotes com testadas menores, incentivar fachadas ativas e desregulamentar espaços privados, além de proibir muros, que segregam e matam a vitalidade urbana”.

























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