Juliana Mendes Vasconcelos / Bióloga / Ma. em Ciências e Tecnologias para o Desenvolvimento Sustentável / Colaboradora da Promutuca / www.promutuca.com.br • adm.promutuca@gmail.com
Enchentes que parecem cenas de filmes, calor em pleno inverno, dias de frio extremo, fumaça de queimadas cobrindo o céu… não, não é só impressão: o planeta anda dando sinais de que está no limite. E junto com esse cenário, cresce um “novo mal-estar” da vida moderna: a ecoansiedade.
O termo pode soar como modismo, mas está no radar dos estudos científicos já faz um tempinho. A Associação Americana de Psicologia definiu, em 2017, a ecoansiedade como o “medo crônico de catástrofes ambientais”. Pesquisas mais recentes mostram que não é exagero: um estudo publicado em 2021 na revista The Lancet Planetary Health entrevistou 10 mil jovens de 10 países e revelou que quase 60% estão muito ou extremamente preocupados com as mudanças climáticas. E mais: quase metade disse que essa preocupação já atrapalha a vida cotidiana, desde estudar até planejar o futuro.
Diante disso, não seria coincidência se os jovens estivessem na linha de frente desse sentimento. E estão. Eles cresceram bombardeados por manchetes sobre aquecimento global, derretimento de geleiras e incêndios recordes. O mesmo estudo da Lancet mostrou que 75% desses jovens acham o futuro “assustador”, e mais da metade sente que seus governos estão falhando em protegê-los. E, convenhamos, é difícil acreditar que trocar o canudo de plástico por um de inox irá resolver o problema do planeta.
O termo pode soar como modismo, mas está no radar dos estudos científicos já faz um tempinho. A Associação Americana de Psicologia definiu, em 2017, a ecoansiedade como o ‘medo crônico de catástrofes ambientais’. Pesquisas mais recentes mostram que não é exagero: um estudo publicado em 2021 na revista The Lancet Planetary Health entrevistou 10 mil jovens de 10 países e revelou que quase 60% estão muito ou extremamente preocupados com as mudanças climáticas.”
“Fadiga climática”
E não pense que é só coisa de gente urbana ou de classe média. Povos indígenas e comunidades tradicionais já lidam com a perda de terras, recursos e modos de vida. Ou seja, não se trata apenas de um medo abstrato: em muitos lugares, a crise climática já é um presente, e não o futuro. É uma mistura de ameaça concreta com sensação de impotência.
Até quem luta para salvar o planeta também sofre. Relatos de esgotamento entre ativistas ambientais se multiplicam. Pesquisadores chamam isso de “fadiga climática”, uma mistura de desgaste emocional e frustração diante da lentidão das mudanças políticas. É remar contra a maré. Afinal, como manter o ânimo quando parece que a cada passo à frente a humanidade dá dois para trás?
A boa notícia é que há saídas. Especialistas defendem que a ecoansiedade pode até ser um “motor de ação social” desde que não paralise, e sugerem algumas estratégias que parecem simples, mas que funcionam: apoio psicológico (terapias cognitivo-comportamentais ajudam a reduzir sintomas de ansiedade), engajar-se em grupos ambientais já que aumenta a sensação de eficácia e diminui o sentimento de impotência. O contato com a natureza reduz níveis de cortisol, o hormônio do estresse, podendo ser também um excelente aliado.
No fim das contas, talvez a ecoansiedade não possa ser considerada um problema em si, mas um alerta, um termômetro coletivo. Ela mostra que estamos atentos e que nos importamos. Sentir ecoansiedade é uma reação “proporcional à ameaça”. Ou seja: não estamos surtando à toa. O planeta respira com dificuldade, e nós respiramos juntos. O desafio é transformar essa angústia em movimento, antes que o medo vire paralisia, e antes que seja tarde demais. O relógio está correndo!

























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