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Integração, inovação e humanização são os pilares da nova fase da cardiologia na Rede Mater Dei de Saúde

Integração, inovação e humanização são os pilares da nova fase da cardiologia na Rede Mater Dei de Saúde

À frente da cardiologia a médica destaca a integração dos serviços, os avanços da cardio-oncologia e o papel da prevenção e inovação no cuidado cardiovascular.


Dra. Patrícia Tavares Felipe é cardiologista, coordenadora na Rede Mater Dei de Saúde e uma das principais referências nacionais em cardio-oncologia. É presidente do Departamento de Cardio-Oncologia da Sociedade Mineira de Cardiologia (desde 2018), vice -presidente do Grupo Brasileiro de Cardio-Oncologia (desde 2023) e especialista em saúde cardiovascular da mulher, além de contar com certificação pela International Cardio- Oncology Society.

Dra. Patrícia, agora que a senhora assume a coordenação da Cardiologia nas unidades Contorno, Santo Agostinho, Betim-Contagem e Nova Lima, quais serão suas prioridades para garantir a excelência e a integração dos serviços?

Assumir a coordenação da Cardiologia da Rede Mater Dei representa para mim uma grande responsabilidade e um marco importante na minha trajetória. Minha prioridade será garantir excelência assistencial com foco no paciente, mantendo a cultura de qualidade que já é um marco da nossa rede.

Vamos trabalhar fortemente na integração entre as unidades (Contorno, Santo Agostinho, Betim-Contagem e Nova Lima), para que o paciente tenha a mesma experiência de cuidado especializado em qualquer uma delas, com fluxos alinhados e protocolos bem definidos.
Outro ponto central é a reestruturação e fortalecimento das linhas de cuidado em cardiologia, como o cardiointensivismo, a cardio-obstetrícia, cardio-oncologia, linha de insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e a prevenção cardiovascular, sempre com apoio de equipes multiprofissionais.

Além disso, temos um compromisso com inovação tecnológica, incorporando ferramentas digitais, inteligência artificial para aprimorar a jornada do paciente.

Valorizamos a pesquisa e a educação, com destaque para a nossa residência médica em cardiologia, que hoje é uma das mais concorridas de Belo Horizonte, que forma especialistas de excelência e contribui para manter a Rede Mater Dei como referência acadêmica e assistencial.

Desde 2014, a senhora coordena a área de Cardio-Oncologia no Mater Dei. Quais avanços marcaram esse período e como eles impactaram o cuidado aos pacientes?

Desde 2014, tive a oportunidade de estruturar e coordenar a área de Cardio-Oncologia na Rede Mater Dei de Saúde, desbravando um caminho ainda pouco explorado no Brasil. A cardio-oncologia é a área da cardiologia que cuida do coração de pacientes com câncer, prevenindo, diagnosticando e tratando possíveis efeitos do tratamento oncológico sobre o sistema cardiovascular.

Nesse período, busquei formação e atualização contínuas, com experiências no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e no MD Anderson, em Houston, nos Estados Unidos, centros de referência mundial. Participei da elaboração da Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia em 2020, escrevi capítulos de livros, publiquei artigos e contribuí em diversos papers sobre o tema.

Minha atuação também se estendeu às sociedades médicas: atualmente sou presidente do Departamento de Cardio-Oncologia da Sociedade Mineira de Cardiologia, colaboro há oito anos com a entidade e, nos últimos dois anos, atuei como vice-presidente do Grupo de Estudos de Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Além disso, sou uma das fundadoras do Grupo Brasileiro de Cardio-Oncologia (GBCO).

Na Rede Mater Dei, participei da organização de 11 simpósios de Cardio-Oncologia, promovendo a difusão do conhecimento e o fortalecimento da área. Em 2018, criamos a primeira especialização em Cardio-Oncologia, iniciativa pioneira que já formou especialistas de referência.

E todo esse caminho nos permitiu chegar ao que considero o maior legado: hoje temos uma equipe sólida, altamente especializada e treinada, capaz de oferecer o que realmente é o objetivo principal de tudo isso: oferecer a cada um dos pacientes um cuidado melhor, mais humano, seguro e acolhedor nesse momento tão delicado da vida e do tratamento oncológico.”

A senhora também é responsável pela Cardiologia da Mulher. Quais são as principais diferenças no cuidado cardiovascular feminino e quais resultados já conquistou nessa área?

A mulher passa por fases da vida que exigem um olhar cuidadoso, atento e embasado em informações técnicas. A gestação, por exemplo, é uma dádiva, mas também aumenta os riscos cardiovasculares e requer acompanhamento especializado. O mesmo acontece no climatério e na menopausa, períodos de grandes mudanças hormonais que impactam diretamente o coração e a circulação. Além disso, sabemos que as mulheres podem apresentar sintomas cardiovasculares diferentes e até atípicos, o que demanda uma escuta qualificada e avaliação individualizada.

Na Rede Mater Dei, prestamos assistência tanto em nível ambulatorial quanto em gestantes de alto risco obstétrico internadas, oferecendo uma abordagem integrada entre cardiologia e obstetrícia. Esse cuidado especializado, fundamentado no entendimento profundo da fisiologia da gestação e das adaptações cardiovasculares, garante maior segurança às pacientes, com menos necessidade de medicamentos e evitando o excesso de exames.

Os resultados já alcançados mostram que essa atuação focada melhora a experiência, a segurança e a saúde cardiovascular das mulheres, em todas as fases da vida.

O check-up cardiovascular é essencial para prevenir complicações, assim como o serviço de ergometria. Quais ações preventivas o Mater Dei oferece e que a senhora considera mais eficazes e como esses recursos são integrados ao cuidado do paciente?

O check-up cardiovascular é essencial para prevenir complicações, já que doenças cardíacas são a principal causa de mortalidade no Brasil e no mundo. Estima-se que até 80% desses problemas poderiam ser prevenidos com medidas simples, e o check-up é a porta de entrada para isso, permitindo que a pessoa conheça seus números — como pressão arterial, glicemia, colesterol e risco cardiovascular — e receba orientações personalizadas sobre hábitos de vida, incluindo alimentação saudável, prática regular de atividade física e abandono do tabaco.

Na cardiologia, atuamos em três níveis de prevenção:
• Primária: evitar que a doença apareça em pessoas de risco, sem diagnóstico estabelecido.
• Secundária: reduzir novos eventos em quem já teve infarto, derrame ou possui doença cardiovascular diagnosticada, com medicamentos e mudanças de estilo de vida.
• Terciária: oferecer recursos de alta complexidade para quem já tem doença avançada, como angioplastia, stent, cirurgias cardíacas ou dispositivos cardíacos.

Além disso, a ergometria e o exercício físico são integrados ao cuidado, representando uma ferramenta terapêutica fundamental em todas as fases. Por meio da avaliação funcional, incluindo ergoespirometria e VO2 máx, identificamos riscos precoces, otimizamos condicionamento e orientamos intervenções personalizadas. Na reabilitação cardíaca, a integração entre avaliação, prescrição de exercício e acompanhamento multidisciplinar não só reduz eventos cardiovasculares, mas também melhora desfechos clínicos e qualidade de vida, ampliando a atuação da cardiologia para além do tratamento da doença e promovendo saúde, performance e longevidade.

O Mater Dei oferece check-ups completos, com exames laboratoriais, de imagem e tecnologias avançadas, como escore de cálcio coronariano e ressonância cardíaca, que permitem avaliar de forma precisa a saúde do coração e direcionar condutas personalizadas. O objetivo é simples, mas poderoso: ajudar cada pessoa a assumir as rédeas da própria saúde e prevenir complicações antes que elas aconteçam.

Como presidente do Departamento de Cardio-Oncologia da Sociedade Mineira de Cardiologia e vice-presidente do Grupo de Estudos da SBC, como a senhora leva essa experiência para dentro do Mater Dei?

O trabalho em sociedades médicas amplia horizontes, aproxima experiências e incentiva a atualização constante. Essa vivência possibilita uma troca contínua com grandes referências nacionais, contribui para o alinhamento de protocolos e fortalece a integração das diversas realidades do país em torno de diretrizes mais uniformes e efetivas.

Dentro do Mater Dei, essa experiência se traduz na integração entre a prática assistencial e o conhecimento científico mais atual. Trazemos para a rede o que há de mais relevante em evidência e inovação nas diversas áreas da cardiologia, fortalecendo protocolos, promovendo educação médica continuada e disseminando uma cultura e excelência clínica e colaboração entre as equipes.

Quais inovações ou projetos a senhora deseja implementar nos próximos anos para fortalecer ainda mais a Cardiologia da rede?

Nos próximos anos, nosso foco será ampliar a prevenção cardiovascular, reforçando ações de promoção da saúde e combate aos fatores de risco modificáveis. As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de mortalidade no mundo, mas até 80% dos eventos podem ser prevenidos com medidas adequadas. Por isso, pretendemos intensificar campanhas educativas e informativas voltadas à população, incentivando hábitos de vida saudáveis e o autocuidado.

Além disso, buscamos fortalecer a integração entre as equipes de cardiologia, promovendo encontros periódicos entre as subespecialidades, estruturando protocolos clínicos assistenciais integrados e disseminando-os para todas as unidades da rede e clínicas parceiras.

Em termos de inovação tecnológica, a Rede Mater Dei já se destaca e pretende avançar ainda mais em áreas como cirurgia robótica cardíaca, procedimentos intervencionistas de alta complexidade (ablação, dispositivos modernos, terapias valvares percutâneas, tratamento de cardiopatias congênitas) e novas tecnologias diagnósticas, além da integração da inteligência artificial aplicada à cardiologia.

Estamos também focados na expansão do serviço de reabilitação cardiovascular e no fortalecimento da recém-inaugurada UTI Cardiovascular, com foco em assistência de alta complexidade, incluindo o uso de dispositivos de suporte circulatório em insuficiência cardíaca avançada, sempre com ênfase na humanização do cuidado.

Por fim, uma prioridade é ampliar a pesquisa clínica e fortalecer o nosso centro de formação de médicos residentes, consolidando o Mater Dei como referência em excelência clínica, inovação, ensino e cuidado cardiovascular integrado.

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