Para o mediador, engenheiro e advogado Hérzio Mansur, esse foi um instrumento que consolidou as questões técnicas com as necessidades das comunidades, dos usuários, dos transportadores, dos passageiros e de quem gera riqueza a partir da mineração e outras tantas atividades industriais na região.
“É termo consensuado, elaborado após oito sessões, desde agosto do ano passado, não é impositivo, mas é uma carta de obviedades. Nele há questões do uso da rodovia, manutenções, cronograma, licenciamento ambiental, a permanência de posto da Polícia Rodoviária Federal, a instalação de vias paralelas estaduais, municipais e particulares. A ideia é que esta referência consolide todas as necessidades pautadas na boa engenharia”, ressalta Hérzio Mansur.
Segundo ele, a implementação, porém, vai depender da sensibilidade dos atores e de seu comprometimento com o objetivo principal que é a redução de mortes no trecho, redução de danos físicos, psicológicos e materiais. “Todas as soluções que estão ali apontadas se convergem para isso, para que se transforme o trecho mais seguro. Se hoje esse trecho demonstra absoluta indiferença do ser humano com seu semelhante, quem sabe com a implementação desse instrumento ele irá se transformar em uma referência. Respeitando também todos os interesses sociais, econômicos, políticos, para a construção de uma convivência harmônica, respeitosa e construtiva”, informou.
Minimizar os acidentes
O Consultor Técnico Sênior do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Minas Gerais (SETCEMG) Luciano Medrado, lembra que o Grupo de Trabalho BR-040 foi criado a partir de um estudo feito pelo CREA-MG de levantamento de risco no trecho da rodovia, onde havia a maior probabilidade e ocorrência de acidentes, tanto de geometria de vias e outros. “Foi um trabalho denso, de muita negociação pois há vários interesses tanto de transportadoras, associações representativas quanto mineradoras e comunidades locais e usuários”, destacou.
Luciano Medrado explica que o instrumento trata da carga e descarga de produtos, das condições dos caminhões que fazem o transporte, da tecnologia a ser aplicada em todo o sistema, para minimizar preventivamente os acidentes na BR-040.
“Os interesses são diversos porque você tem uma cadeia logística que vai desde o minerador até o ponto transbordo para descarga do produto. Não é um produto típico para transporte rodoviário de carga, ele tem uma distância um pouco maior, é produto a granel e de baixo valor agregado. O seu sistema de transporte sobrecarrega muito o custo de manutenção dos veículos, e a cadeia na maioria das vezes não vê as questões específicas de cada segmento. As condições da rodovia não são as melhores para o transporte de cargas mais pesadas. E, além disso, temos uma convivência entre as empresas de transporte de cargas, os transportadores autônomos e as cooperativas de transporte de carga. Então, construímos um documento que está à disposição da concessionária EPR para observar as recomendações e propostas técnicas de prevenção a acidentes”, relatou Luciano Medrado.
O JORNAL BELVEDERE entrou em contato com entidades representativas dos setores mencionados para saber sobre as medidas que já tomadas, mas não obteve retorno.

























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