728 x 90

Publicidade

Mesmo com nova gestão, BR-040 continua insegura, registrando acidentes com vítimas fatais

Mesmo com nova gestão, BR-040 continua insegura, registrando acidentes com vítimas fatais

Do início da concessão até 2024, houveram 33 óbitos no trecho praticamente o mesmo índice do ano anterior, o que demonstra que nenhuma ação tomada foi suficiente para reduzir o número de mortes na rodovia. Moradores e usuários defendem ações para atacar as causas dos acidentes, como a duplicação de pista e a instalação de canteiro central ou muretas para diminuir as possibilidades de colisões frontais.


Após mais de um ano da nova concessão da BR-040, com avanços significativos na infraestrutura de pavimentação e na manutenção, o trecho administrado pela EPR Via Mineira de 232 quilômetros entre Belo Horizonte, no Vale do Mutuca, e Conselheiro Lafaiete continua sendo o que registra mais acidentes e vítimas fatais. Em 2025, foram registrados 370 acidentes, com 435 feridos e 30 óbitos. Do início da concessão, em agosto de 2023, a julho de 2024, houveram 33 óbitos no trecho, ou seja, praticamente o mesmo índice do ano passado, o que demonstra que nenhuma ação tomada foi suficiente para reduzir o número de mortes na rodovia. A impressão que fica é que são necessárias medidas estruturais mais efetivas e urgentes de forma a mitigar a intensidade desses acidentes na rodovia.

Uma vítima fatal a cada 12 dias

Os números mostram que em um ano há uma média de uma vítima fatal a cada 12 dias, e uma média de 1 ferido a cada 18 horas. Os dados são de um relatório da Polícia Rodoviária Federal de verificação de acidentes do km 544 ao km 633, e apontam que as vítimas fatais de 2025 igualaram-se às do ano anterior (2024), enquanto que aumentaram o número de feridos – passaram de 435 para 490 – e também a quantidade de acidentes que subiu de 370 para 407.

Segundo usuários da rodovia, o trecho mais crítico é sem dúvida o de pista simples que se estende do Alphaville, em Nova Lima, até Conselheiro Lafaiete, em razão da ausência de mureta central e do alto fluxo de veículos pesados como carretas de minério e caminhões.

De acordo com o relatório elaborado pelo Agente da PRF, Eduardo Machado, o km 633 é o que mais registra fatalidades na rodovia, lugar conhecido como a curva o Pires, em Congonhas: “Ali morreram sete pessoas nos últimos três anos. No novo edital da concessão da rodovia não contempla sequer uma área de escape para este local, para que as carretas sem freio não causem tantas tragédias. E o km 632, no perímetro urbano de Conselheiro Lafaiete, entre o trevo da Garra e o posto do Corpo de Bombeiros, é o que registrou mais acidentes com feridos, com 41 pessoas lesionadas”, relata o Agente da PRF.

Eduardo Machado explica que em termos absolutos de acidentes por km, o local que mais se destaca é o km 545, logo no início do trecho, próximo ao viaduto do Mutuca. São 32 ocorrências registradas nos últimos três anos. Em seguida, com 30 registros, aparece o km 552, também em Nova Lima, próximo ao Jardim Canadá.

Segundo informou o Agente Rodoviário Federal, os cinco tipos de acidentes que mais ocorreram em 2025 foram colisão traseira (19,9%), colisão lateral no mesmo sentido (14,7%), saída de pista (11,1%), tombamento (9,5%) e colisão frontal (7,6%). De acordo com o relatório da PRF, os óbitos registrados no trecho em 2025 foram causados por colisão frontal – por causa da ausência de mureta ou canteiro, atropelamento pela inexistência de acostamento e passarelas para pedestres na rodovia, e colisão transversal por privação de locais adequados (trevos) para retornos, conversões ou cruzamentos de pistas em níveis diferentes.

EPR deveria propor uma alteração do cronograma de obras

Na opinião de Eduardo Machado e de integrantes do Movimento SOS 040, a concessionária precisa atacar as causas dos acidentes com ações como a duplicação de pista, com instalação de canteiro central ou muretas para diminuir as possibilidades de colisões frontais. E criar acostamentos e passarelas para reduzir os atropelamentos; eliminar acessos irregulares e dificultar retornos e cruzamentos de pista em nível, edificando locais apropriados como trevos, trincheiras, viadutos de forma a reduzir a eventualidade de colisões transversais.

Para Eduardo Machado, os acidentes independem da melhoria básica de pavimento e sinalização: “Melhora por um lado, mas a partir do momento que a rodovia fica melhor, algumas pessoas se sentem mais seguras e confiantes para acelerar um pouco mais, e assim acidentes vão acontecendo”, explicou. Para ele, a redução virá com a melhoria da infraestrutura da via, com a duplicação de pistas e com a instalação de canteiro central e muretas divisórias, além de acostamentos e locais adequados para cruzamentos da via e retorno e áreas de escape.

Ainda segundo o policial, a EPR deveria propor uma alteração do cronograma de obras para antecipar as duplicações das quatro pontes de Congonhas que ainda são em mão dupla (apenas uma faixa em cada sentido). “Essa deveria ser a prioridade número 1. Enquanto tivermos vários estreitamentos de pista, a probabilidade de acidentes será maior”, reforçou.

Com relação ao aumento do fluxo de veículos na rodovia, ele informa que não houve nada muito significativo. “Vale lembrar que em 2025 tivemos menos feriadões prolongados”, completou.
Sobre a redução dos limites de velocidade em todo o trecho – de BH a Conselheiro Lafaiete – para 80 km, o Agente da PRF explica que o resultado dessa mudança poderá ser o inverso que todos desejam: “- Ninguém respeita placas de 80 km/hora. Isso é utopia. E a velocidade de 100 km /hora – exceto em pontos críticos – não causa acidentes. Estes acontecem para quem insiste em correr acima de 100 km / hora. E, com a redução para 80 km e 60 km, a PRF fica impedida de operar o radar móvel no trecho; embora ele seja controlador e não redutor. Ou seja, nestes trechos não haverá mais a fiscalização de velocidade com radar móvel pela PRF e, ao invés de reduzir a velocidade dos veículos, a tendência é que ela aumente diante da percepção de que não existe mais o dispositivo móvel. A PRF operava os equipamentos e fazia o controle dos excessos, agora não pode mais”, ressaltou.

Notícias relacionadas

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Últimas notícias


Publicidade


Mais comentadas