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O “Brasil no Espelho”, de Felipe Nunes, revela como os brasileiros se veem e se compreendem

O “Brasil no Espelho”, de Felipe Nunes, revela como os brasileiros se veem e se compreendem

A obra dialoga diretamente com o atual momento político do país e antecipa os desafios estruturais da democracia brasileira às vésperas das eleições de 2026.


O cientista político Felipe Nunes, professor da Fundação Getúlio Vargas e fundador e CEO da Quaest Pesquisa, esteve em Belo Horizonte a convite do presidente do Sindinfor, Fábio Veras, para um almoço palestra onde abordou os cenários e tendências de 2026 e o direcionamento estratégico para negócios. O encontro reuniu lideranças do setor de tecnologia e da comunicação para uma reflexão sobre política, economia digital e os cenários políticos em 2026. Ao abrir o evento, Fábio Veras destacou o papel central da informação qualificada e da tecnologia aplicada à análise social. Segundo ele, “a tecnologia, quando usada com responsabilidade e método, não apenas melhora a eficiência — ela ilumina caminhos”.

Já o cientista Felipe Nunes iniciou sua apresentação destacando o orgulho de ser brasileiro e a influência do pai em sua visão sobre o papel transformador da política. Em seguida, explicou como sua formação multidisciplinar nos Estados Unidos — que combina programação, ciência de dados, estatística, análise de desenvolvimento e ciência política — moldou seu método de trabalho.
A sua empresa, a Quaest, criada em 2016, se tornou referência nacional ao combinar métodos tradicionais de pesquisa com ferramentas avançadas de análise digital.

A metodologia da empresa integra: amostragem estatística rigorosa; entrevistas presenciais, telefônicas e online; modelo de likely voter para prever quem realmente irá votar; monitoramento e análise de redes sociais; o Índice de Popularidade Digital (IPD), que capta em tempo real a força dos políticos no ambiente digital.

“Brasil no Espelho”

Na palestra, Felipe Nunes fala do livro recém lançado – “Brasil no Espelho”, que é fruto de uma pesquisa que colocou o país em um espelho de alta definição. “O livro apresenta os resultados que revelam como os brasileiros, em toda sua diversidade, se veem e se compreendem. E oferece a oportunidade de entender como traços da nossa personalidade coletiva geram problemas e limitações ao desenvolvimento, ajudam a reconhecer dificuldades no aprimoramento da sociedade, aponta caminhos para políticas públicas e sugere novas possibilidades para o futuro,” ressalta Felipe Nunes.
O livro nasce de anos de pesquisas de opinião e acompanhamento permanente das dinâmicas digitais e eleitorais. Segundo Nunes, o Brasil não está mais polarizado como muitos acreditam. Cerca de 31% está ligado a Lula e à esquerda (16% são petistas e 15% são da esquerda); e outros 38% estão alinhados à direita e ao bolsonarismo ( 25% são da direita e 13% bolsonaristas). Entre esses dois grupos, há cerca de 31% de eleitores independentes, que são decisivos, formados por: descontentes que rejeitam ambos os polos; antigos eleitores do PSDB e setores liberais; jovens urbanos e empreendedores individuais, críticos ao Estado e altamente digitalizados. Ou seja, o país não está mais polarizado.

A democracia segue valorizada

Esse grupo intermediário, segundo Felipe Nunes, deve ser decisivo em 2026, especialmente diante do cenário de rejeições cruzadas. “Nas eleições de 2026 teremos então o voto do medo e da rejeição. As eleições devem repetir o padrão de 2022, com a disputa tendendo a ser decidida menos por projetos e mais por rejeição e medo”, informou. Segundo ele, em 2022 o temor do retorno de Bolsonaro superou o receio da continuidade de Lula. Para 2026, ele prevê que a decisão do eleitor continuará fortemente marcada por sentimentos defensivos, não necessariamente por adesão ideológica.

Ainda segundo Felipe, os dados apresentados apontam um paradoxo importante: a democracia segue valorizada, especialmente pelos indecisos; mas cresce a sensação de que as instituições não funcionam plenamente. “Esse descompasso ajuda a explicar o avanço das narrativas anti-sistêmicas e da erosão da confiança pública.”

O cientista político comenta que o Índice de Popularidade Digital (IPD), método desenvolvido pela Quaest, exemplifica a centralidade do ambiente digital. Felipe Nunes citou um exemplo, registrado há algumas semanas, quando IPD registrou queda expressiva na popularidade digital de Jair Bolsonaro após seu depoimento ao ministro Alexandre de Moraes — mostrando como o humor político é moldado em tempo real pelas redes. Para Nunes, as redes não apenas refletem a política — elas passaram a defini-la.

Abstenção elevada e desafios para as pesquisas

Ele ressalta que com uma taxa de abstenção próxima de 25%, semelhante à dos EUA, prever o comportamento do eleitor brasileiro exige modelagem robusta. “Em 2022, o uso do likely voter ajudou a melhorar a precisão das pesquisas da Quaest, ajustando cenários de desistência eleitoral de última hora. Segundo Nunes, o receio de perder benefícios sociais, especialmente o Bolsa Família, já foi decisivo em eleições passadas, mas agora é diferente.

“Hoje, com o programa consolidado sob governos distintos, esse ‘medo’ diminuiu, tornando o eleitor menos fiel e mais volátil. Agora, o grande desafio de 2026 é disputar o eleitor jovem. A juventude tornou-se um campo estratégico. Mais digitalizados e expostos a influenciadores, desinformação e discursos polarizados, os jovens demandam linguagem própria, credibilidade e capacidade de diálogo com novas pautas”, informou.

O LIVRO: O seu “Brasil no Espelho” oferece um diagnóstico direto e incômodo: um país dividido, altamente digitalizado, desconfiado das instituições, mas ainda profundamente comprometido com a ideia de democracia. A publicação não aborda apenas as eleições — ela mostra sentimentos sociais, tensões culturais e disputas simbólicas que passaram a moldar o Brasil contemporâneo.

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