O VW Taos Highline, SUV da marca alemã, tem visual mais moderno sem perder a identidade. A reestilização foi discreta, porém eficiente.
Andamos no VW Taos Highline, versão topo de linha do SUV, que agora chega importada do México, em vez da Argentina. A mudança de produção trouxe um efeito imediato: maior disponibilidade do modelo nas concessionárias e um preço mais competitivo. Poucos carros do mercado brasileiro carregam o rótulo de “subestimado” com tanta propriedade quanto o Volkswagen Taos. Desde seu lançamento, o SUV médio sempre demonstrou boa dinâmica, cabine espaçosa e comportamento refinado, mas nunca conseguiu transformar essas qualidades em vendas expressivas. Agora, na linha 2026, a Volkswagen tenta mudar essa história com uma atualização que vai além do visual.
O VW Taos Highline tem visual mais moderno sem perder a identidade. A reestilização foi discreta, porém eficiente. O Taos ganhou uma dianteira mais limpa e sofisticada, novos para-choques, faróis redesenhados e uma assinatura luminosa em LED que atravessa toda a grade frontal. Na traseira, as lanternas interligadas atualizam a aparência e aproximam o SUV da identidade visual adotada nos lançamentos mais recentes da Volkswagen. No conjunto, o Taos é um veículo que transmite mais personalidade sem recorrer aos exageros estéticos que se tornaram comuns em muitos concorrentes. As rodas de 19 polegadas da versão Highline completam o conjunto e reforçam a proposta mais elegante do que esportiva.
As mudanças internas do VW Taos Highline talvez sejam ainda mais relevantes que as externas. A cabine recebeu materiais mais agradáveis ao toque, novas texturas e uma sensação geral de maior requinte. O painel continua organizado, enquanto a central multimídia VW Play passa a ocupar posição de destaque com visual flutuante. Com tela digital de 10,25 polegadas, o painel de instrumentos oferece boa resolução e inúmeras possibilidades de configuração, enquanto o ar-condicionado digital de duas zonas mantém o conforto para motorista e passageiro. Os comandos sensíveis ao toque do sistema de climatização continuam exigindo atenção excessiva durante a condução. Ajustar temperatura ou velocidade da ventilação sem desviar os olhos da estrada ainda não é uma tarefa intuitiva, uma solução que a própria Volkswagen já começou a abandonar em outros mercados.
Também fazem falta no VW Taos Highline itens que muitos concorrentes já oferecem, como câmera de visão 360 graus e abertura elétrica da tampa do porta-malas. A plataforma MQB segue entregando um dos melhores aproveitamentos internos da categoria. Quem viaja no banco traseiro encontra excelente espaço para pernas e cabeça, acomodando dois adultos com bastante conforto. Apenas o ocupante central sofre com o túnel elevado do assoalho, consequência da arquitetura global da plataforma. Com capacidade de 498 litros, o porta-malas permanece entre os maiores do segmento, com formato regular e boa facilidade para acomodar bagagens de uma família em viagens longas.
Novo câmbio de seis marchas é a maior novidade mecânica e muda significativamente o comportamento do carro. O conhecido motor 1.4 TSI continua entregando 150cv e 25,5kgfm de torque, porém agora trabalha em conjunto com uma transmissão automática de oito velocidades. Nas situações do dia a dia, é que a diferença aparece. As trocas ficaram praticamente imperceptíveis, a condução ganhou suavidade e o motor trabalha em rotações mais baixas nas velocidades de cruzeiro. Em rodovias, isso reduz ruídos internos e melhora o conforto acústico, além de favorecer o consumo. Durante ultrapassagens, o câmbio do VW Taos Highline responde rapidamente, reduzindo várias marchas quando necessário para explorar todo o torque disponível. Existe um pequeno atraso entre a solicitação do acelerador e a entrega plena de força, especialmente nas arrancadas e em velocidades mais baixas. Não chega a comprometer o desempenho, mas podia ser um pouco melhor.
Se há um aspecto em que o VW Taos Highline permanece difícil de superar é na forma como roda. A suspensão traseira independente trabalha com competência, absorvendo irregularidades sem transmitir impactos excessivos ao habitáculo. Ao mesmo tempo, mantém excelente controle da carroceria em curvas, oferecendo uma condução precisa e segura. A direção possui peso adequado e transmite confiança, enquanto o conjunto demonstra uma maturidade rara entre SUVs médios produzidos para o mercado brasileiro. O novo câmbio também ajuda na eficiência energética. Em uso misto é possível registrar médias próximas dos 14km/l com gasolina em rodovias e números competitivos na cidade para um SUV desse porte. São bons resultados para um veículo exclusivamente a combustão.
Segurança permanece como um ponto forte. A versão Highline oferece um pacote bastante completo de assistências eletrônicas. Entre os destaques estão o piloto automático adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego e alerta de tráfego cruzado. O conjunto funciona de maneira eficiente e torna viagens longas menos cansativas, aproximando o VW Taos Highline dos níveis de condução semiautônoma encontrados em modelos mais caros. O Taos Highline 2026 não tenta reinventar a categoria. Seu mérito está justamente em corrigir pontos que incomodavam a geração anterior. O acabamento evoluiu, o visual ficou mais moderno, a transmissão automática de oito marchas tornou a condução mais refinada e o preço passou a ser mais competitivo. Ao mesmo tempo, permanece devendo uma atualização mecânica mais profunda. Na verdade, o Taos continua sendo uma excelente escolha para quem valoriza dirigibilidade, conforto, espaço interno e qualidade construtiva acima da busca pela eletrificação.

























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