Ambientalistas e moradores cobram retirada imediata do material. De acordo com o movimento “Fechos eu cuido” o rejeito de asfalto acumulado na área de amortecimento da unidade de conservação representa risco ao solo e aos mananciais que abastecem cerca de 200 mil pessoas em Belo Horizonte e Nova Lima.
Depois de enfrentar graves ameaças ambientais provocadas por poluição por esgoto e desmatamento, agora a Estação Ecológica de Fechos, localizada em Nova Lima, enfrenta outro impacto ambiental. Entidades ambientalistas, moradores e representantes da sociedade civil estão denunciando o depósito de grandes pilhas de material fresado de pavimento asfáltico (RAP), realizado pela concessionária EPR Via Mineira às margens da BR-040, na área de amortecimento da Estação Ecológica, uma das mais importantes unidades de conservação voltadas à proteção dos recursos hídricos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A EPR Via Mineira realiza obras na BR-040, que são fiscalizadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A principal preocupação dos ambientalistas é em relação ao potencial de contaminação do solo e dos mananciais que abastecem aproximadamente 200 mil pessoas em Belo Horizonte e Nova Lima. De acordo com eles, com a chegada do período chuvoso, aumenta o risco de que a água da chuva atravesse as pilhas de resíduos, carreando compostos químicos para o solo e para os cursos d’água que alimentam a bacia hidrográfica de Fechos.
Substâncias potencialmente tóxicas
Embora o material seja frequentemente classificado como “inerte” em ensaios laboratoriais padronizados, especialistas alertam que essa classificação possui limitações e não reproduz as condições reais de campo. A exposição prolongada do rejeito às intempéries, associada ao grande volume depositado diretamente sobre solo natural, favorece a mobilização de substâncias potencialmente tóxicas, como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) e metais presentes na composição do pavimento asfáltico.
Moradores da região alegam que além do risco de contaminação, as pilhas de resíduos vêm crescendo continuamente e já avançam em direção ao cercamento da Estação Ecológica, aumentando a preocupação com a integridade da unidade de conservação.
Diante da situação, organizações da sociedade civil protocolaram ofícios junto à EPR Via Mineira e aos órgãos ambientais competentes do Estado, solicitando informações técnicas sobre o armazenamento do material, os estudos ambientais que justificariam sua permanência naquele local e, principalmente, sua retirada imediata da área de amortecimento da Estação Ecológica de Fechos.
Para os movimentos, a adoção do princípio da precaução deve prevalecer. “Quando se trata de uma área responsável pela produção de água para cerca de 200 mil pessoas, qualquer atividade com potencial de contaminação exige máxima cautela. A preservação de Fechos é uma questão de segurança hídrica e de saúde pública”, afirmam os representantes das entidades.
Rodrigo Narciso, morador e integrante do movimento “Fechos eu Cuido” lembra que em outubro do ano passado, moradores gravaram um vídeo no local onde havia uma placa do DNITT indicando o espaço como área de preservação,. “Na época as pilhas já estavam grandes. O que chama atenção é que antes existia essa placa e hoje não tem mais, ela foi arrancada. O local está sendo usado para depósito de material tóxico, mesmo sabendo que é ilegal e irregular qualquer interferência no local. Isso é inadmissível”, ressalta o morador.
EPR Via Mineira se posiciona
Procurada para falar do assunto, a EPR Via Mineira enviou uma nota informando que o armazenamento temporário do material fresado segue critérios técnicos e ambientais. E, que em vistoria realizada no último dia 4, foi confirmada que as condições do local permanecem adequadas, sem identificação de material nas estruturas de drenagem ou de carreamento para a Estação Ecológica de Fechos.
Ainda segundo a EPR, a área está fora dos limites da Unidade de Conservação, a mais de 200 metros da Área de Preservação Permanente (APP) mais próxima, e que esta já se encontrava antropizada e utilizada anteriormente pela Concessionária anterior. E que o material estocado às margens da BH será utilizado nas obras de duplicação da BR-040, no trecho de Congonhas, contribuindo para a redução do descarte, o uso eficiente dos recursos e a menor necessidade de novos insumos.
Ambientalistas informaram que vão continuar acompanhando o caso e cobrando da concessionária e dos órgãos públicos uma solução urgente para evitar danos ambientais e garantir a proteção definitiva da Estação Ecológica de Fechos e de seus mananciais.
Importância de Fechos
A Estação Ecológica de Fechos possui uma área de 604 hectares, contém 15 nascentes e está situada entre os bairros Vale do Sol e Jardim Canadá, e o distrito de São Sebastião das Águas Claras. Classificada como Unidade de Conservação e Proteção Integral, a Estação é protegida de posse e domínio público, com foco principal na preservação da natureza e o incentivo a pesquisas científicas, sendo proibida a visitação pública comum. O local é fiscalizado por órgãos ambientais federal e estadual como Ibama, Instituto Estadual de Florestas (IEF) e Secretaria de Meio Ambiente.

























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