Dr. Frederico Anselmo / médico Endocrinologia e Metabologia (CRM-MG: 32470/RQE 49685), título em Endocrinologia e Metabologia (SBEM), título em Terapia Intensiva (AMIB), formado em medicina pela Faculdade de Medicina da UFMG, com mais de 25 anos de experiencia na área médica.
Uma nova era no tratamento da obesidade começou em 2010, com o lançamento da primeira medicação para diabetes tipo 2 que, posteriormente, também seria aprovada para o tratamento da obesidade. A partir daí, as “canetas emagrecedoras” abriram um novo mundo de possibilidades.
O que são e como funcionam?
As popularmente conhecidas “canetas para emagrecer” são dispositivos que aplicam medicamentos da classe dos Agonistas do GLP1 (aGLP1). Eles não são uma “solução milagrosa”, mas sim uma ferramenta que atua em mecanismos biológicos para controlar o apetite e aumentar a saciedade.
Esses medicamentos funcionam de duas maneiras principais:
• Regulação do apetite: Influenciam a comunicação entre o intestino e o cérebro, diminuindo a sensação de fome e o impulso de comer em excesso.
• Aumento da saciedade: O corpo se sente satisfeito com menores quantidades de alimento, facilitando a adesão a uma dieta com restrição calórica.
É fundamental entender que essas canetas não são para todos. A indicação é feita por um endocrinologista após uma avaliação detalhada do histórico de saúde, Índice de Massa Corporal (IMC) e outras condições clínicas. A decisão de uso é sempre médica.
O papel das canetas na jornada de perda de peso
Quando usadas sob orientação médica, as canetas podem ser um diferencial significativo. Elas não substituem a necessidade de uma alimentação balanceada e da prática de atividade física. Pelo contrário, elas potencializam os resultados desses esforços, facilitando a adesão à dieta e o controle de compulsões alimentares.
Para pacientes com diabetes tipo 2 ou pré-diabetes, além de auxiliar na perda de peso, esses medicamentos contribuem para um melhor controle da glicose no sangue.
Canetas disponíveis no mercado brasileiro
Atualmente, o mercado brasileiro conta com diferentes opções, cada uma com sua indicação específica.
Liraglutida: Victoza®, Lirux®, Saxenda® e Olire®
A liraglutida é o princípio ativo de quatro medicamentos diferentes. A distinção entre eles é crucial para entender qual é o mais adequado para cada caso.
• Victoza® e Lirux®: Focados no tratamento do diabetes tipo 2. As doses são otimizadas para o controle glicêmico (0,6 mg a 1,8 mg por dia). A perda de peso é um benefício secundário.
• Saxenda® e Olire®: Desenvolvidos especificamente para o tratamento da obesidade e do sobrepeso com comorbidades. As doses são mais elevadas (até 3,0 mg por dia) para maximizar o efeito na saciedade e na redução de peso.
Semaglutida: Ozempic® e Wegovy®
A semaglutida é o princípio ativo do Ozempic® e do Wegovy®, mas eles são indicados para propósitos distintos.
• Ozempic®: Focado no tratamento do diabetes tipo 2. As doses (até 1,0 mg por semana) visam melhorar o controle da glicemia. A perda de peso moderada é um benefício adicional.
• Wegovy®: Desenvolvido e aprovado especificamente para o tratamento da obesidade e do sobrepeso com comorbidades. As doses (até 2,4 mg por semana) são mais altas para o manejo do excesso de peso.
Tirzepatida: A nova promessa
A tirzepatida é uma medicação inovadora que age em dois receptores (GLP1 e GIP), aumentando os efeitos no controle da glicemia e na perda de peso, além de reduzir efeitos colaterais.
• Mounjaro®: Indicado para o tratamento do diabetes tipo 2.
• Zepbound®: Indicado para o controle de peso. Já foi aprovado pela ANVISA, mas ainda não é comercializado no Brasil.
Mitos e verdades
Muitos mitos cercam as canetas emagrecedoras, como a ideia de que elas substituem dieta e exercícios. A verdade é que esses medicamentos só são eficazes quando combinados com um plano alimentar saudável e atividade física regular. Eles potencializam os resultados e ajudam a manter o peso a longo prazo, mas não agem sozinhos.
Outro ponto importante é que seu uso não é para todos e os possíveis efeitos colaterais precisam ser monitorados.
O que a ciência diz?
A eficácia dessas medicações é comprovada por rigorosos estudos clínicos. Pacientes que as utilizam sob orientação médica perdem mais peso e apresentam melhorias em importantes marcadores de saúde, como glicose, pressão arterial e perfil lipídico.
O endocrinologista é o profissional ideal para avaliar a indicação, acompanhar os possíveis efeitos colaterais e integrar a medicação a um plano personalizado.
O perigo das falsas promessas
É crucial ter cuidado com promessas de resultados mágicos e rápidos. Recentemente, a ANVISA proibiu a fabricação e venda de medicamentos manipulados que contenham semaglutida. O uso dessas formulações pode acarretar sérios riscos à saúde, como doses erradas e contaminações, já que a patente ainda está em vigência e a produção é exclusiva do laboratório que a lançou.
Não arrisque sua saúde com informações de fontes não confiáveis ou automedicação. Busque sempre a orientação de um endocrinologista para um caminho seguro e personalizado rumo ao bem-estar.

























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