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O GWM Haval H9 e os argumentos para incomodar o rival

O GWM Haval H9 e os argumentos para incomodar o rival

O jipão GWM Haval H9 surpreende primeiro por consumir apenas diesel e zero de eletricidade. Durante anos, o segmento de SUVs grandes a diesel no Brasil viveu praticamente sem concorrência real. O consumidor escolhia entre poucas opções, quase sempre japonesas, pagava caro e aceitava limitações que já não fariam sentido em outras categorias. Foi nesse cenário acomodado que a GWM decidiu entrar com o Haval H9: um SUV de sete lugares, carroceria sobre chassi, motor turbodiesel e proposta assumidamente tradicional. E talvez esteja justamente aí a sacada do GWM Haval H9.


O porte do GWM Haval H9 impõe um certo respeito. São quase cinco metros de comprimento, mais de 1,90m de altura e largura suficiente para se impor até mesmo entre caminhonetes grandes. O desenho aposta nas linhas retas e no estilo “raiz”, sem exageros futuristas. Há referências evidentes a modelos clássicos do universo off-road. A dianteira com faróis circulares lembra o universo do Mercedes Classe G, enquanto a traseira vertical e a área envidraçada remetem a SUVs tradicionais japoneses. A tampa traseira do GWM Haval H9 traz um detalhe curioso. O compartimento externo parece carregar um estepe, mas é apenas um porta-objetos. O pneu reserva fica sob o carro. Isso obriga a abertura lateral da tampa do porta-malas — solução que divide opiniões no uso urbano, especialmente em vagas apertadas.

O estribo elétrico retrátil mostra como o H9 equilibra bem rusticidade e sofisticação. Ele facilita muito o acesso à cabine sem comprometer o vão livre em trilhas. Ao entrar no GWM Haval H9, fica claro que a prioridade foi conforto e funcionalidade, não ostentação. Longe de ser luxuoso como o de SUVs premium europeus, o acabamento inclui alguns plásticos rígidos no painel e nas portas. Porém, a montagem é sólida, os encaixes são corretos e o ambiente transmite sensação de robustez. Bancos largos e macios trazem conforto em viagens longas. Há ventilação, aquecimento, ajustes elétricos e até função de massagem. O espaço interno impressiona mais que o acabamento em si.

Na segunda fileira sobra espaço para pernas e ombros, enquanto a terceira fileira consegue acomodar adultos sem o nível de sofrimento normalmente associado a SUVs de sete lugares. Chama a atenção o pacote tecnológico do GWM Haval H9, que incluiavaHHaHapainel digital, central multimídia com tele de 14,6 polegadas, câmera 540°, condução semiautônoma nível 2+, head-up display e um arsenal de assistências eletrônicas. Felizmente, a GWM não caiu totalmente na moda de esconder tudo dentro do sistema multimídia. Ainda existem botões físicos para comandos importantes — algo essencial em um veículo pensado também para uso fora de estrada.

Um dos pontos positivos do GWM Haval H9 talvez seja ter entendido que o consumidor desse segmento ainda quer diesel. A GWM até poderia ter apostado em um sistema híbrido sofisticado, como faz em outros mercados. Mas preferiu lançar o SUV com um motor 2.4 turbodiesel de 184cv e 48,9kgfm de torque, que é ligado ao câmbio automático de nove marchas e à tração 4×4 com reduzida. Na prática, o H9 entrega uma condução agradável, mas claramente prioriza conforto em vez de desempenho. O motor trabalha de forma silenciosa e refinada, enquanto o isolamento acústico surpreende para um SUV com chassi. O problema aparece nas retomadas e acelerações mais fortes, pois, o peso de mais de 2,5 toneladas exige bastante do conjunto mecânico.

O conjunto de suspensão se destaca positivamente. O GWM Haval H9 proporciona um conforto de rodagem que impressiona se levarmos em conta que se trata de um SUV desse porte com chassis, conseguindo filtrar buracos, lombadas e pisos ruins com certa competência. A direção leve ajuda em manobras, enquanto o conjunto de câmeras reduz bastante o estresse de estacionar um carro enorme em vagas apertadas. É um daqueles casos em que o tamanho assusta mais antes de dirigir do que durante o uso real. Na estrada, o comportamento também agrada. A carroceria oscila menos do que se espera de um SUV com estrutura sobre chassi, e o rodar transmite sensação de solidez.

Fora do asfalto, o GWM Haval H9 mostra que não é apenas um SUV urbano fantasiado de aventureiro. Há bloqueios de diferencial, reduzida, modos específicos para lama, areia e neve, além de bons ângulos de ataque e saída. Ele encara algumas trilhas e terrenos difíceis com uma certa facilidade. Um dos pontos delicados do H9 é o consumo, que decepciona. Esperávamos que a potência relativamente baixa ajudasse na eficiência, mas isso não acontece. O peso elevado faz o motor trabalhar constantemente sob carga, e o resultado são médias urbanas pouco animadoras para um diesel. Na estrada a situação melhora, mas ainda sem brilho.

Eduardo Aquino * / eduardo.aloisio@yahoo.com.br

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