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Defesa Civil define ações de prevenção para o período de chuvas e de mudanças climáticas

Defesa Civil define ações de prevenção para o período de chuvas e de mudanças climáticas

A Prefeitura de Nova Lima intensificou os trabalhos de mapeamento de áreas de risco e das regiões historicamente afetadas por enchentes e deslizamentos. Com os dados em mãos, o município pretende direcionar ações de infraestrutura e equipes de resgate de forma mais assertiva.


Com a proximidade do período chuvoso, chega também à necessidade urgente de intensificar as ações preventivas para mitigar riscos de enchentes, deslizamentos e alagamentos nas cidades. Para quem vive nas encostas ou perto de córregos, as nuvens carregadas no céu costumam trazer mais apreensão do que alívio. Sabendo dessa realidade, a Prefeitura de Nova Lima intensificou os trabalhos de mapeamento de áreas de risco e das regiões historicamente afetadas por enchentes e deslizamentos, e está mudando a gestão de crise reativa para preditiva. A medida faz parte do plano de prevenção para o período de chuvas e visa categorizar o nível de vulnerabilidade de cada bairro. Com os dados em mãos, o município pretende direcionar ações de infraestrutura e equipes de resgate de forma mais assertiva.

Algumas áreas de risco foram identificadas a partir de levantamentos anteriores, vistorias técnicas e estudos incorporados ao Plano Municipal de Contingência (PLANCON). Entre as regiões acompanhadas estão Honório Bicalho, Santa Rita, Chácara dos Cristais, Cristais, Matadouro, Centro, Cascalho, Jardim Canadá e Vale do Sol. De acordo com a Prefeitura, o diagnóstico está sendo ampliado e atualizado por meio do novo Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), com participação técnica da UFMG e apoio do Ministério das Cidades e da UNOPS. O trabalho considerou milhares de registros de vistorias realizadas no município e definiu localidades prioritárias para aprofundamento técnico. Por essa razão, o quantitativo definitivo de áreas, imóveis e população exposta somente será conhecido após a consolidação do PMRR.

De acordo com o levantamento, os principais tipos de ameaça identificados são movimentos de massa, deslizamentos, inundações, enchentes, erosões, instabilidade de taludes e riscos associados a barragens. “O mapeamento combina vistorias de campo, histórico de ocorrências, características geológicas, relevo e dados de monitoramento. Para tanto, a Defesa Civil utiliza drones em áreas de difícil acesso e estuda tecnologias como a LiDAR, Mobile Mapping e sistemas GIS para ampliar a precisão. Esse trabalho não é estático. As áreas são reavaliadas sempre que há novas ocorrências ou chuvas intensas”, explica a Defesa Civil em seu levantamento.

Os riscos variam conforme a região

De acordo com a gestão municipal, os riscos variam conforme a região. Honório Bicalho e Santa Rita exigem atenção especial pela influência do Rio das Velhas, com possibilidade de enchentes. Já o Jardim Canadá, Vale do Sol, Macacos e o Centro apresentam situações que envolvem drenagem insuficiente, enxurradas e instabilidades de encostas. Ainda segundo a prefeitura, os dados consolidados estão sendo atualizados no âmbito do PMRR, servindo para o planejamento de evacuação, atendimento social e monitoramento. O plano classifica e atualiza os imóveis considerados como risco e define as medidas necessárias. O município possui cadastros, registros de vistorias, interdições e informações que permitem acompanhar famílias expostas em diferentes situações e os dados são utilizados no planejamento de evacuação e atendimento social.

Além do mapeamento, o município vem atuando em várias frentes de forma preventiva, através de monitoramento meteorológico, emissão de alertas e simulados. Também estão em andamento estudos hidrológicos integrados envolvendo o Rio das Velhas e ribeirões locais como Cardoso e o Cristais. Foram desenvolvidos levantamentos de galerias pluviais, programas comunitários como o Núcleo de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs) e o projeto Defesa Civil nas Escolas. As situações identificadas são encaminhadas às secretarias competentes para as obras e assistência necessárias.

Enfrentamento aos efeitos do El Niño

Em 2025, o município lançou um Sistema de Monitoramento do Rio das Velhas para antecipar decisões operacionais em Honório Bicalho e Santa Rita. O sistema conta com pluviômetro, telemetria de nível e câmera ao vivo 24h via Nova Lima App. Complementarmente, para o período chuvoso 2026/2027, o município estruturou um planejamento específico para o enfrentamento aos efeitos do El Niño, definindo uma matriz de responsabilidades entre as secretarias para agilizar a resposta a emergências. O planejamento contempla chuvas intensas, rajadas de vento, granizo, quedas de árvores, movimentos de massa, alagamento e inundações.

O objetivo, segundo a Prefeitura, é que cada setor conheça previamente suas atribuições, evitando que as responsabilidades sejam definidas apenas durante a emergência. Também foram trabalhados níveis de acionamento, funcionamento de Sala de Situação, protocolos de resposta, acolhimento de famílias, interrupção de vias, comunicação à população, restabelecimento de serviços e proposta de instrumento normativo municipal específico para o período.

Intervenções de drenagem, contenção e melhoria de infraestrutura já foram executadas na Avenida José Bernardo de Barros e no Jardim Canadá para melhorar o escoamento das águas. Um exemplo recente foi a atuação em situação de movimento de massa e instabilidade próxima a imóveis residenciais, na qual houve interdição preventiva de imóveis, retirada de moradores, isolamento do perímetro, acompanhamento técnico e manutenção das interdições enquanto persistiram as condições de risco. Esse tipo de atuação demonstra que a resposta emergencial continua necessária, mas deve ser cada vez mais apoiada por mapeamento, monitoramento e planejamento prévio.

Segundo a Prefeitura, o mapeamento permite antecipar grande parte dos problemas. “Entretanto, nem todo evento pode ser previsto com exatidão. Nessas hipóteses, a prevenção consiste em identificar os sinais precocemente e reduzir a exposição das pessoas”, conclui a gestão municipal, destacando que a resposta emergencial virá sempre apoiada por planejamento prévio.

PBH também se prepara para atuação no período chuvoso

Para o período chuvoso 2026/2027, que vai de outubro a março, a Prefeitura de Belo Horizonte se preparou em diversas frentes, baseada em um modelo de governança integrada, zeladoria intensiva e mobilização contínua. Nesse sentido, o Grupo Gestor de Riscos, Desastres e Eventos Climáticos Extremos (GGRDECE) iniciou as atividades no último dia 5 de outubro, com a apresentação das ações já realizadas pela PBH e fortalecendo a articulação entre os órgãos municipais envolvidos na prevenção e no enfrentamento de situações de risco.

O GGRDECE é responsável por acompanhar todas as ações durante o período chuvoso. Composto por técnicos e especialistas de diversas secretarias, o Grupo tem a missão de monitorar os efeitos das chuvas e definir medidas emergenciais.

O trabalho conjunto permite ampliar a prevenção, a preparação e a resposta a ocorrências provocadas principalmente pelas chuvas intensas, como alagamentos, inundações, enxurradas, quedas de árvores e deslizamentos. A integração também busca agilizar o compartilhamento de informações e a atuação coordenada das equipes diante de eventos que possam colocar a população em risco.

O monitoramento é realizado 24 horas por dia no Centro de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), onde o Grupo debate ações e analisa os efeitos dos eventos climáticos. Nas instalações do COP-BH, representantes de 20 órgãos públicos acompanham, por meio de mais de 4,5 mil câmeras, o que acontece na cidade em tempo real, incluindo o acompanhamento do nível dos córregos, bem como alagamentos e outras ocorrências.

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