Gabriel Souza Marques de Azevedo tem 40 anos, é advogado, jornalista, publicitário e professor universitário. Gabriel Azevedo é o candidato ao governo do Estado pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Foi vereador de Belo Horizonte por dois mandatos e presidente da Câmara Municipal da capital entre 2023 e 2024. É mestre em Direito e também mestre em Cidades pela London School of Economics (LSE), na Inglaterra. Em 2024, foi candidato à Prefeitura de Belo Horizonte e recebeu 133.728 votos. Em 2026, disputa o Governo de Minas Gerais pelo MDB.
JORNAL BELVEDERE – O Estado enfrenta uma grave situação fiscal e uma dívida bilionária. Qual será sua estratégia para equilibrar as contas do Estado sem comprometer investimentos em áreas essenciais? E qual será sua prioridade nos primeiros 100 dias de governo?
GABRIEL AZEVEDO – Minas Gerais reconheceu uma dívida de R$ 179,3 bilhões e aderiu ao Propag na modalidade que prevê amortização extraordinária de 20% e correção pelo IPCA, sem juros reais. O próximo governador não receberá uma folha em branco. Receberá um contrato que precisa ser cumprido e uma situação fiscal que exige responsabilidade.
Minha regra será simples: a despesa primária precisa crescer menos que a receita. Não vou fazer ajuste fiscal aumentando impostos nem promovendo cortes lineares que destruam serviços públicos. Vamos avaliar políticas, programas e benefícios fiscais para saber quanto custam e qual resultado entregam. Aquilo que funciona será preservado; desperdícios e privilégios sem retorno público serão revistos.
Nos primeiros 100 dias, quero apresentar à população um diagnóstico completo das contas, dos ativos oferecidos no Propag, dos benefícios fiscais, das obras e dos principais contratos. Também instalaremos uma instituição independente de avaliação de políticas públicas.
Minha prioridade será organizar o Estado para voltar a investir. Cuidar das contas não é um objetivo abstrato: é o que permite cuidar das pessoas.
JORNAL BELVEDERE – Uma das áreas que mais impactam diretamente a população é a Saúde. Quais serão suas principais medidas para otimizar esse serviço, ampliar o atendimento de média e alta complexidade e fortalecer a saúde nos municípios do interior?
GABRIEL AZEVEDO – O principal problema não é apenas falta de hospitais. É uma rede fragmentada, que faz o paciente peregrinar até chegar a um grande centro.
Vamos regionalizar efetivamente a saúde, fortalecendo os polos de atendimento e os consórcios intermunicipais para que mais problemas sejam resolvidos perto de onde as pessoas vivem. Montes Claros, Governador Valadares, Juiz de Fora, Uberlândia e outros grandes polos precisam continuar oferecendo alta complexidade sem receber casos que poderiam ter sido resolvidos antes em sua própria região.
Vamos implantar uma fila transparente de cirurgias e procedimentos, com critérios clínicos conhecidos pelo paciente, e organizar forças-tarefa regionais por especialidade para enfrentar os maiores gargalos. Prontuários precisam conversar entre si, e a telemedicina será utilizada para ampliar acesso, não para substituir indiscriminadamente o atendimento presencial.
Também vamos fortalecer prevenção, vacinação e atenção primária. Saúde regionalizada não pode significar apenas mandar uma pessoa doente para outra cidade. Significa organizar transporte sanitário, referência, contrarreferência e capacidade regional para que o paciente seja atendido no lugar certo e no tempo certo.
JORNAL BELVEDERE – Na área da segurança pública, que mudanças concretas o seu governo pretende implementar para combater a criminalidade, valorizar as forças de segurança e melhorar a prevenção?
GABRIEL AZEVEDO – Minha primeira mudança será integrar inteligência. Vamos criar um Centro Integrado de Inteligência Criminal, reunindo Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal e articulando a cooperação com as forças federais. Facção criminosa não respeita fronteira municipal nem estadual. O Estado também precisa compartilhar informação.
Vamos atacar o dinheiro do crime, fortalecer investigação financeira e perícia, recuperar ativos e integrar inteligência sobre armas, cargas, drogas e rotas interestaduais. Nos presídios, teremos bloqueadores de celular modernos, isolamento de lideranças, novas vagas, reformas emergenciais e expansão das APACs.
Também precisamos recompor gradualmente os efetivos e recuperar condições básicas de trabalho. Combustível, manutenção de viaturas, peças, pneus e funcionamento das delegacias são responsabilidades do Estado, que não pode continuar transferindo parte do seu custeio às prefeituras.
Prevenção também será prioridade. Teremos dados criminais territorializados, políticas para juventudes e um programa específico contra furtos e roubos de celulares.
E temos uma meta que considero inegociável: Feminicídio Zero. Vamos combinar acolhimento regional, avaliação imediata de risco, monitoramento das medidas protetivas, monitoramento eletrônico dos agressores de maior risco e uma Rede Estadual de Recomeço para que nenhuma mulher precise voltar ao agressor por dependência econômica.
JORNAL BELVEDERE – Em termos de mobilidade e infraestrutura, quais são as obras e projetos que terão prioridade e como o Estado pretende financiá-los, especialmente em relação às rodovias, ferrovias e grandes corredores metropolitanos?
GABRIEL AZEVEDO – Minas Gerais cometeu um erro histórico ao colocar quase toda a sua logística sobre pneus. Apenas cerca de 8% das cargas mineiras seguem por ferrovia. Meu governo vai começar a mudar isso.
Estruturamos uma carteira com 15 corredores ferroviários. Alguns podem avançar em quatro anos; outros exigirão dois, três ou até quatro governos. Eu não vou prometer inaugurar em 2030 uma ferrovia que tecnicamente exige dez anos. Vou entregar projeto, engenharia, licenciamento, financiamento e obra naquilo que estiver maduro, deixando o restante pronto para continuar.
Entre os eixos estão conexões no Alto Paranaíba, Jequitinhonha, Mucuri, Norte, Noroeste, Sul e Triângulo, além da retomada de trens regionais de passageiros onde houver demanda e viabilidade.
O financiamento combinará compensações ferroviárias federais, recursos da CFEM que legalmente pertencem ao Estado, outorgas, parcerias e financiamento climático. O essencial é ter projeto executivo pronto para disputar esses recursos.
Nas rodovias, vamos substituir a lógica de remendo por contratos de manutenção por desempenho, com indicadores de pavimentação, qualidade, segurança e sinalização. Projeto executivo completo será a regra antes da licitação.
Na mobilidade metropolitana, vamos estudar integração física e tarifária, inclusive tarifa única onde houver viabilidade técnica e fiscal. Quem utiliza transporte coletivo precisa conseguir atravessar uma região metropolitana sem ser penalizado pelas fronteiras administrativas entre municípios.
JORNAL BELVEDERE – Como seu governo pretende promover um desenvolvimento mais equilibrado em relação às diferenças e características regionais do Estado, atraindo investimentos, gerando empregos e melhorando a qualidade de vida também nas regiões historicamente menos desenvolvidas?
GABRIEL AZEVEDO – Minas Gerais tem 853 municípios e realidades profundamente diferentes. Não é possível governar o Norte, o Noroeste, o Sul, o Triângulo, o Vale do Rio Doce e o Jequitinhonha a partir de uma única mesa na Cidade Administrativa.
Vamos criar dez Governos Regionais sem aumentar a despesa com pessoal, reorganizando cargos e estruturas existentes. Cada região terá uma pequena equipe responsável por acompanhar convênios, indicadores, obras, prazos e programas, apoiar municípios com menor capacidade técnica e aproximar empresas, produtores, universidades e poder público.
A política econômica também será regionalizada. Emater-MG e Epamig aproximarão tecnologia do produtor; a Fapemig financiará ciência, inovação e pesquisa aplicada; UEMG e Unimontes estarão conectadas às vocações de seus territórios, preservando a autonomia universitária.
Não quero uma política de incentivos fiscais em que o Estado abre mão de bilhões sem demonstrar o resultado. Vamos publicar o custo, as contrapartidas e os resultados dos benefícios concedidos.
Também vamos tratar cultura, gastronomia e turismo como economia. Minas Gerais possui patrimônios, paisagens, produtos e tradições extraordinários, e essa riqueza precisa gerar emprego e renda no território.
Desenvolvimento regional não é levar uma solução pronta de Belo Horizonte para o interior. É descobrir o que cada região faz bem, remover seus gargalos e dar a ela infraestrutura, conhecimento e capacidade para produzir mais valor. Minas Gerais não precisa escolher entre as Minas e as Gerais. Meu compromisso é governar as duas.


























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