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Kalil: “A política de investimentos deixará de se limitar a incentivos sem avaliação”

Kalil: “A política de investimentos deixará de se limitar a incentivos sem avaliação”

Alexandre Kalil, nasceu em Belo Horizonte, em 1959, é casado com Ana Laender, pai de três filhos e avó de sete netos. Concorre ao Governo de Minas pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista). Começou a sua vida política como prefeito de Belo Horizonte entre 2017 e 2022 e, antes disso, foi presidente do Clube Atlético Mineiro, entre 2008 e 2014.

Em 15 de novembro de 2020 foi reeleito em 1° turno com 63,3% dos votos. Na pandemia de Covid-19, sua gestão foi marcada pelo rigor de medidas de enfrentamento à doença, ganhando prêmio internacional.

Foi eleito, em 2021, para comandar a Frente Mineira de Prefeitos. Renunciou à Prefeitura em 2022 para disputar o Governo de Minas, ficando na segunda colocação.
Kalil Iniciou a faculdade de Engenharia e, antes mesmo dos 25 anos, recebeu a tarefa de comandar o voleibol do Atlético. Mais tarde, passou a dirigir a empresa criada pela família, a Erkal Engenharia LTDA, especializada em infraestrutura rodoviária, urbana, civil e industrial.

Elegeu-se presidente do Clube Atlético Mineiro em 30 de outubro de 2008. Ficou no cargo até dezembro de 2014. Conquistou títulos importantes como a inédita Taça Libertadores da América-2013, a Copa do Brasil-2014, além da Recopa Sul-americana e três campeonatos mineiros: 2010, 2012 e 2013.


JORNAL BELVEDERE – O Estado enfrenta uma grave situação fiscal e uma dívida bilionária. Qual será sua estratégia para equilibrar as contas do Estado sem comprometer investimentos em áreas essenciais? E qual será sua prioridade nos primeiros 100 dias de governo?
ALEXANDRE KALIL – A situação fiscal exige coragem e prioridade. A população não pode sofrer com a falta de recursos para hospitais, escolas, segurança e infraestrutura. Nossa primeira medida será instalar uma força-tarefa econômico-financeira para abrir os números do Estado, revisar despesas, contratos, benefícios tributários e a carteira de investimentos, com transparência sobre quem recebe incentivos e quais resultados entrega. O orçamento será vinculado às prioridades do governo, com metas de qualidade do gasto e execução física, priorizando os serviços essenciais.
A prioridade zero dos primeiros 100 dias será liderar, em Brasília, uma frente com a bancada federal, a Assembleia Legislativa, o Governo Federal e outros estados para renegociar os termos do PROPAG. O acordo atual alonga a dívida, mas pode retirar de Minas capacidade de investimento por décadas. Defenderemos condições compatíveis com o caixa estadual, sem liquidar patrimônio estratégico nem transferir às próximas gerações um Estado descapitalizado.
O objetivo não é prometer que a dívida desaparecerá em quatro anos, mas reduzir seu peso, recuperar a capacidade de investimento e garantir que cada real economizado ou recuperado se converta em atendimento, segurança, educação e obras que melhorem a vida dos mineiros.

JORNAL BELVEDERE – Uma das áreas que mais impactam diretamente a população é a Saúde. Quais serão suas principais medidas para otimizar esse serviço, para ampliar o atendimento de média e alta complexidade e fortalecer a saúde nos municípios do interior?
ALEXANDRE KALIL – Nosso compromisso é fazer o Estado voltar a coordenar o SUS como uma rede única, regionalizada e capaz de acompanhar o paciente da atenção básica ao tratamento especializado. Vamos mapear os vazios assistenciais, reorganizar as Redes de Atenção à Saúde e pactuar com municípios, consórcios, hospitais públicos, filantrópicos e universitários fluxos claros, metas e responsabilidades.
Para ampliar a oferta de atendimentos de média e alta complexidade, a minha gestão se comprometerá a colocar em operação, com 100% da capacidade, os cinco novos hospitais regionais do Estado. Pretendo finalizar as obras, equipar os hospitais, garantir profissionais de saúde e ativar todos os leitos disponíveis. Lembrando que Kalil que colocou o Hospital Dr Célio de Castro, no Barreiro, em BH, em pleno funcionamento, com 460 leitos.
Outra meta de destaque do meu plano de governo é investir acima do mínimo constitucional em Saúde no Estado. Pela Constituição, os estados são obrigados a destinar 12% da receita de impostos e transferências à área, mas pretendo ir além nos recursos para o setor por entender que o percentual mínimo não é suficiente para promover mudanças no SUS.

JORNAL BELVEDERE – Na área da segurança pública, que mudanças concretas o seu governo pretende implementar para combater a criminalidade, valorizar as forças de segurança e melhorar a prevenção?
ALEXANDRE KALIL – Nosso governo adotará quatro compromissos principais: proteger vidas, prevenir a violência, enfrentar as organizações criminosas e, para isso, recuperar a capacidade operacional e investigativa do Estado. Vou priorizar a ampliação dos investimentos nas polícias, a partir do enxugamento da máquina pública, da renegociação da dívida de Minas e da revisão das isenções fiscais concedidas às empresas.
Entendendo que valorizar o servidor também significa oferecer estrutura adequada para o trabalho e garantir proteção jurídica e operacional, . Vamos planejar a recomposição dos déficits de pessoal, além de melhorar a formação, os equipamentos, as condições de trabalho, a atenção à saúde física e mental e a previsibilidade das escalas. A Polícia Civil terá sua capacidade reforçada para esclarecer homicídios, crimes patrimoniais, casos de violência contra mulheres, crimes cibernéticos e delitos de maior impacto regional.
Além disso, implantaremos gradualmente a Muralha Digital de Minas, integrando câmeras, leitura de placas, sensores, inteligência e sistemas municipais. O programa Minas contra o Dinheiro do Crime reunirá administração tributária e cooperação judicial para bloquear bens e atingir o financiamento das facções. Nos territórios mais violentos, a ação policial será combinada com proteção às vítimas, permanência escolar, assistência social, oportunidades para jovens e recuperação dos espaços públicos.

JORNAL BELVEDERE – Em termos de mobilidade e infraestrutura, quais são as obras e projetos que terão prioridade e como o Estado pretende financiá-los, especialmente em relação às rodovias, ferrovias e os grandes corredores metropolitanos?
ALEXANDRE KALIL – A primeira prioridade será recuperar o patrimônio que Minas já possui. Não é responsável anunciar uma sequência de grandes obras enquanto estradas utilizadas todos os dias permanecem deterioradas. O DER-MG fará um diagnóstico atualizado da malha e implantará um programa permanente de conservação, com tapa-buracos emergencial, recuperação de pavimento, drenagem, acostamentos, pontes, contenção de encostas, sinalização e segurança viária. A escolha dos trechos seguirá critérios públicos: condição da via, acidentes, fluxo, acesso à saúde e à escola, importância regional e escoamento da produção.
Vamos propor às instâncias competentes redirecionar os recursos do Novo Rodoanel juridicamente disponíveis para a recuperação emergencial das rodovias estaduais. A solução metropolitana será reavaliada tecnicamente, considerando traçado, custo, impacto territorial e fontes de recursos que não sacrifiquem a manutenção da malha. Nos grandes corredores urbanos, o Estado retomará a coordenação com municípios para integrar transporte coletivo, mobilidade, uso do solo e desenvolvimento econômico.
Minas precisa ainda de uma logística multimodal. Organizaremos uma carteira de projetos que conecte rodovias, ferrovias, aeroportos, portos secos e terminais intermodais, priorizando gargalos, ligações com polos industriais e agropecuários, acesso a portos e transporte de passageiros onde houver viabilidade. Projeto será anunciado com estudo, fonte de recursos e benefício demonstrado.

JORNAL BELVEDERE – Como seu governo pretende promover um desenvolvimento mais equilibrado em relação às diferentes características regionais do Estado, atraindo investimentos, gerando empregos e melhorando a qualidade de vida também nas regiões historicamente menos desenvolvidas?
ALEXANDRE KALIL – Minas será governada a partir de suas regiões. Cada território terá diagnóstico, prioridades e uma carteira integrada de infraestrutura, educação profissional, inovação, saúde e desenvolvimento produtivo. O Estado apoiará os municípios na elaboração de projetos e captação de recursos, especialmente aqueles com menor capacidade técnica, e utilizará critérios de desigualdade, potencial econômico e carência de serviços para distribuir investimentos. Nenhuma prefeitura será discriminada por preferência política.
A política de atração de investimentos deixará de se limitar a anúncios e incentivos sem avaliação. Vamos destravar projetos, dar segurança aos investidores, aproximar crédito, qualificação e infraestrutura e exigir contrapartidas mensuráveis de emprego, renda, inovação, agregação de valor e desenvolvimento local. Fortaleceremos cadeias já existentes e novas atividades em indústria, agroindústria, mineração com transformação no Estado, turismo, bioeconomia, energia limpa, economia criativa, tecnologia e serviços intensivos em conhecimento. Universidades, institutos de pesquisa e empresas trabalharão de forma conectada aos desafios de cada região.
Nas regiões historicamente menos desenvolvidas, combinaremos infraestrutura, conectividade, água e segurança hídrica, formação profissional, apoio ao pequeno produtor, cooperativismo e inclusão produtiva. Desenvolvimento será avaliado por oportunidades geradas e pela redução efetiva das desigualdades.

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