728 x 90

Publicidade

Mais do que decodificar palavras

Mais do que decodificar palavras

Fernanda Queiroga, Diretora de unidades escolares do Bernoulli Educação

No dia 8 de setembro, celebramos o Dia Internacional da Alfabetização. Mais do que marcar uma data no calendário, essa é uma oportunidade para refletirmos sobre um tema essencial: afinal, o que significa alfabetizar uma criança nos dias de hoje?

Durante muito tempo, era comum acreditar que alfabetização se resumia a “juntar letras e decodificar palavras”. Mas a experiência em sala de aula e o pensamento de grandes educadores nos mostram que ler e escrever vão muito além disso. Alfabetizar é abrir portas para o conhecimento, para a imaginação e para a cidadania. É ajudar a criança a compreender o mundo e a se perceber como protagonista dele.

A educadora Magda Soares dizia que existe uma diferença importante entre alfabetização (aprender o código escrito) e letramento (usar esse conhecimento em situações reais da vida). Ler uma lista de compras, escrever um bilhete, entender uma notícia ou se emocionar com uma história fazem parte desse processo. É nessa direção que a escola e a família caminham juntas: formando leitores e escritores competentes para o mundo.

Não por acaso, pesquisas da UNESCO mostram que crianças alfabetizadas na idade certa têm mais autonomia, melhores condições de aprendizado ao longo da vida e maiores chances de inserção social e profissional. É por isso que cada conquista nesse caminho precisa ser valorizada: cada palavra lida ou texto escrito representa não apenas um avanço escolar, mas também uma ampliação de horizontes.

Mas, afinal, quais os maiores desafios? Muitas vezes não estão apenas nas letras ou nas regras ortográficas, mas na motivação. Aprender a ler e escrever exige esforço e persistência, mas quando o processo é lúdico, prazeroso e conectado à realidade da criança, o aprendizado flui. E aqui o papel da família é fundamental: criar um ambiente de leitura em casa, compartilhar histórias, conversar sobre livros e mostrar que a leitura é parte da vida.

Também não podemos ignorar o impacto da tecnologia. Tablets, celulares e aplicativos fazem parte do cotidiano das crianças e podem, sim, ser aliados quando usados de forma orientada — oferecendo jogos educativos, acervos digitais e novos gêneros textuais. Mas nada substitui o contato humano, a conversa olho no olho e o hábito de ler juntos. O equilíbrio é a chave.

A escola, por sua vez, precisa ser um espaço vivo de leitura. Bibliotecas ativas, rodas de histórias, projetos literários, professores que também sejam leitores: tudo isso cria um ambiente fértil para que a alfabetização floresça de maneira natural. A criança não aprende de forma passiva: ela constrói conhecimento a partir de interações reais com a escrita.

Por fim, vale retomar as palavras de Paulo Freire: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra.” Ler e escrever não são apenas habilidades escolares, mas formas de interpretar e transformar a realidade. Nesse Dia Internacional da Alfabetização, o convite é simples e profundo: que famílias e professores celebrem cada avanço das crianças, e que juntos continuemos a formar leitores e escritores para a vida. Porque alfabetizar é, no fundo, um ato de liberdade e um dos maiores legados que podemos deixar.

Notícias relacionadas

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Últimas notícias


Publicidade


Mais comentadas