Apesar de pequena retração em relação ao ano anterior, o primeiro semestre de 2026 pode confirmar a trajetória de expansão do mercado imobiliário em Belo Horizonte e Nova Lima. Especialistas relacionam aquecimento ao desenvolvimento e a busca por regiões que reúnam qualidade de vida, segurança, serviços, lazer e saúde.
Segundo dados do Data Secovi, instituto de pesquisas da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Belo Horizonte registrou a comercialização de 12.099 imóveis no período, considerando pontos comerciais, lotes e imóveis residenciais, um número um pouco abaixo do registrado em 2025, porém acima do esperado em relação ao cenário de juros elevados que torna as aplicações financeiras mais competitivas.
De acordo com o levantamento, o segmento residencial manteve ampla predominância no mercado da capital mineira e respondeu por aproximadamente 90% de todas as unidades comercializadas entre janeiro e junho deste ano. Os apartamentos concentraram a maior parte das vendas. Em Belo Horizonte, foram comercializadas 9.485 unidades nos seis primeiros meses do ano, e o desempenho foi diferente entre os segmentos do mercado. As vendas dos imóveis Super Luxo e Econômico Faixa 4 cresceram 4,8% no período, enquanto o segmento Standard registrou alta de 2,4%. Houve redução nas vendas dos segmentos Luxo (-33,2%), Alto (-25,9%), Médio (-19,3%) e Econômico (-7,9%).
Aquecimento em Nova Lima
Em Nova Lima, o setor segue aquecido também, sinalizando que o imóvel continua ocupando espaço relevante na carteira dos investidores. Segundo informou a Secretaria da Fazenda de Nova Lima, a arrecadação de ITBI no município totalizou R$ 76.174.842,83 no período entre 01/01/2026 a 02/07/2026. Em relação ao número de cadastros de novos imóveis na planta e recém-construídos, foram emitidos 260 alvarás de construção e 171 certidões de habite-se neste ano até a data de 30 de junho, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Política Urbana.
“O anúncio das novas obras de mobilidade, que agora estão saindo do papel, está aquecendo o mercado, atraindo o desejo de muitos por imóveis em Nova Lima, tanto para moradia como para locação, e dessa forma impulsionando também uma forte valorização imobiliária. Além disso, o aumento no tamanho familiar tornou-se um forte atrativo para novos compradores que veem na região uma opção de moradia, com compras, educação, atendimento à saúde e serviços perto de casa. Viver em Nova Lima é sinônimo de qualidade de vida e exclusividade. Ter o privilégio de residir em Nova Lima é desfrutar do melhor que a região oferece”, ressalta Cida Miranda, consultora imobiliária.
E, apesar dos juros elevados, o custo do crédito não foi suficiente para interromper o ritmo de crescimento do setor e provocar um desafio para o mercado. Os imóveis continuam ocupando espaço relevante na carteira de investidores, especialmente quando entram nessa conta a segurança patrimonial e a perspectiva de valorização.
Marcelo Borges, Diretor da GPO Netimóveis e Empreendimentos, reforça que a valorização dos imóveis em Nova Lima está relacionada ao desenvolvimento da cidade e à busca pelos empreendedores e investidores por regiões que reúnam qualidade de vida, segurança, serviços, lazer e saúde. Para ele, o crescimento e a atratividade da região estão diretamente ligados ao bem-estar que ela oferece, a um ecossistema completo: segurança, saúde, lazer e serviços de ponta. “Sou morador e investidor da região há mais de 30 anos e pude acompanhar de perto praticamente todos os empreendimentos ali edificados, onde visivelmente, com o passar dos anos, o nível das construções tem se destacado pelo alto padrão dos projetos que não deixam a desejar a nenhum endereço dos bairros mais cobiçados do país”, explicou.
Para Marcelo, no cenário atual de juros elevados ainda vale a pena investir em imóvel para alugar, especialmente nas regiões de maior crescimento de Nova Lima. “Estamos falando de uma região atípica e única com características de um grande centro urbano sem perder a qualidade de vida do interior, com diversas obras viárias em andamento. Investir em imóveis para alugar nos próximos anos na região ainda pode valer a pena, e o cenário exige uma análise mais criteriosa do que em períodos de juros baixos. Embora a alta taxa Selic torne a renda fixa mais atraente, o mercado de locação residencial está aquecido, com aluguéis subindo acima da inflação devido à alta demanda”, explicou.
Em relação à preferência do consumidor por morar ou investir em locação, o diretor da Netimóveis é categórico: “Historicamente a procura maior está vinculada ao consumidor final, que compra para morar. Porém, em uma economia com grandes incertezas o imóvel se torna um investimento sólido para um perfil mais conservador e de diversificação de carteira. Com empreendimentos cada vez mais sofisticados, a rentabilidade extraída da locação do imóvel adquirido com o objetivo de renda passiva tem atraído cada vez mais investidores para o setor. Para quem vai começar a investir no mercado imobiliário, a sugestão é diversificar a carteira de investimentos, parte em imóveis comerciais e parte em residencial, para minimizar oscilações de mercado. Porém, sempre assessorado por um profissional de confiança”, destacou.
Preço do metro quadrado registrou valorização
A análise histórica do Data Secovi evidencia a importância dos imóveis de menor valor para o mercado de Belo Horizonte. Entre 2022 e 2026, o padrão econômico, incluindo a Faixa 4, foi responsável por 62,4% das unidades comercializadas na cidade. No outro extremo, os padrões Luxo e Super Luxo responderam, juntos, por 2,5% das vendas.
Apesar da redução no número de apartamentos vendidos em Belo Horizonte, o valor médio do metro quadrado privativo apresentou valorização. Entre janeiro e junho de 2026, o preço médio passou de R$ 14.356 para R$ 14.574, alta de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025.
No segmento Super Luxo, o preço médio apurado foi de R$ 19.195,14 por metro quadrado. Para o cálculo da média desse segmento, foram desconsideradas as vendas de imóveis acima de R$ 10 milhões para evitar que operações pontuais de valores mais elevados comprometessem a média do mercado da cidade.
Na análise dos preços por bairro, Lourdes, São José e Gutierrez apresentaram os maiores valores médios por metro quadrado privativo de Belo Horizonte, todos acima de R$ 21 mil por metro quadrado. Considerando o Valor Geral de Vendas (VGV), os bairros Buritis, Lourdes e Savassi concentraram os maiores volumes financeiros do mercado imobiliário de Belo Horizonte no primeiro semestre de 2026. Os três bairros registraram 9% do VGV total, com a movimentação de aproximadamente R$ 1,11 bilhão.


























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