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O que a juventude nos ensina sobre o futuro

O que a juventude nos ensina sobre o futuro

O Mês da Juventude foi também um convite para ouvir o que os jovens de Nova Lima têm a dizer sobre o presente e, principalmente, sobre o futuro que querem construir. Na audiência pública promovida aqui na Câmara Municipal, por meio do Câmara nas Escolas, os vereadores jovens chamaram atenção para a saúde mental. A pauta revela uma juventude que não quer apenas ser ouvida, mas participar das decisões sobre aquilo que impacta sua vida.

E há algo simbólico nessa discussão: há 21 anos, ainda adolescente, eu também encontrei na participação política um caminho para defender uma demanda da juventude. Em 2005, escrevi o texto abaixo sobre o passe estudantil. A pauta era outra, mas a essência permanece atual: garantir aos jovens condições para sonhar e chegar ao futuro que desejam.

Encontro Estadual da Juventude – 2005
Passe Estudantil
Tenho 15 anos e talvez eu ainda tenha muito para aprender sobre a vida. Mas tem coisas que a gente não precisa ser adulto para entender.
A gente entende quando vê um amigo faltar à escola porque não tem dinheiro para a passagem.
A gente entende quando vê uma mãe contando as moedas para saber se vai dar para o filho pegar o ônibus no outro dia.
A gente entende quando alguém quer fazer um curso, participar de alguma atividade ou simplesmente continuar estudando, mas a distância e o preço da passagem acabam dizendo: você não pode.
E talvez seja isso que mais doa.
Porque todo mundo fala para nós: “Estuda.” “Corre atrás.” “Pensa no seu futuro.”
Mas como correr atrás quando até o caminho custa caro?
Eu estou aqui hoje porque acredito que o passe estudantil representa muito mais do que pagar menos em uma passagem.
Ele representa uma oportunidade.
Representa um jovem poder acordar de manhã sabendo que, mesmo que sua família tenha pouco dinheiro, ele vai conseguir chegar à escola.
Representa uma mãe poder olhar para o filho e dizer: “Vai estudar. Vai atrás dos seus sonhos.” Sem precisar pensar primeiro se tem dinheiro para ele ir e voltar.
Eu sei que uma passagem de ônibus pode parecer uma coisa pequena para muita gente.
Mas, para quem não tem, ela pode ser a distância entre continuar estudando e desistir.
E eu não acho justo que o tamanho do sonho de um jovem seja determinado pelo dinheiro que a família dele tem no bolso.
Nós somos jovens. Temos sonhos diferentes, histórias diferentes e viemos de lugares diferentes.
Mas todos nós queremos ter uma chance.
Uma chance de estudar. Uma chance de trabalhar. Uma chance de construir uma vida melhor que aquela que encontramos.
Eu ainda não sei onde vou estar daqui a dez ou vinte anos.
Mas sei de uma coisa: eu quero olhar para trás e saber que a minha geração não ficou calada.
Que quando vemos alguma coisa errada, temos coragem de falar.
Que quando vimos outros jovens ficando para trás, não achamos isso normal.
E que entendemos cedo que lutar pelo direito do outro também é lutar pelo nosso.
Talvez digam que somos jovens demais para mudar alguma coisa.
Eu penso diferente.
Acho que somos jovens demais para desistir.
Por isso eu defendo o passe estudantil.
Porque dentro de cada ônibus pode estar um futuro professor, um médico, um mecânico, uma enfermeira, um trabalhador, uma mãe de família, um vereador, quem sabe até um prefeito.
Mas, antes de qualquer coisa, ali está um jovem querendo uma oportunidade.
E se a gente quer que a juventude sonhe com um futuro melhor, o mínimo que podemos fazer é garantir que ela consiga chegar até ele.

Thiago Almeida / Vereador, gestor público e presidente da Câmara Municipal de Nova Lima

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