Enquanto de um lado estão sendo esperadas três grandes obras de arte em mobilidade, a obra de alargamento do tabuleiro do Viaduto no Trevo do Belvedere, nas proximidades do BH Shopping, está interrompida. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) aplicou multa, conforme publicado no Diário Oficial do Município (DOM), ao consórcio responsável, formado pelas construtoras Poros e RFJ. Devido aos atrasos e ao descumprimento de normas de segurança, o consórcio foi multado pela Prefeitura e proibido temporariamente de participar de novas licitações no município.
O cancelamento do contrato foi anunciado aos moradores depois de uma visita técnica realizada no último dia 3 de junho, por meio de uma solicitação da vereadora Fernanda Altoé (Novo), com a presença de técnicos da Sudecap, da Secretaria de Governo da e da Regional Centro-sul da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), diretoria e associados da Associação de Moradores do Bairro Belvedere (AMBB) para avaliação do processo e estágio do empreendimento.
A reunião acabou originando outros desdobramentos, e a equipe do prefeito Álvaro Damião marcou para o próximo dia 12, um encontro com a vereadora e os representantes dos moradores para tratar tanto da obra do trevo do Belvedere quanto da retirada de árvores da Lagoa Seca. A expectativa é que os técnicos do PBH anunciem um novo processo e solução para retorno da obra e um plano de supressão que atenda tanto o interesse dos moradores quanto à necessidade de supressão pelo município.
Audiência pública
Além dessa reunião com a equipe do executivo municipal, está marcada para o próximo dia 17 de junho, por meio também de um requerimento da vereadora Fernanda Altoé, uma audiência pública a ser realizada na Câmara Municipal, que segundo a parlamentar tem o objetivo “de unir todos os setores da construção civil, a Sudecap e a PBH em prol de uma cidade eficiente, onde obras sejam iniciadas e entregues com qualidade técnica e dentro do prazo”. Segundo ela, um exemplo de fracasso é a obra do viaduto, que deveria ser entregue em dezembro deste ano, mas que ainda não tem 10% de conclusão. “É preciso impedir que empresas aventureiras voltem a atuar em BH e trazer transtornos e retrocessos como esse. Porque agora, segundo informado pela equipe técnica da Sudecap, vamos ter que aguardar o resultado de um processo administrativo sancionador, a chamada do segundo, terceiro e quarto lugares. Isso se estes terão interesse em pegar essa obra. Ou seja, um grande atraso para a região e para a cidade”, destacou Fernanda.
Durante a visita técnica no Belvedere, as equipes informaram que apenas 11% da obra, que seria entregue em novembro, foi executada. E, que a primeira denúncia sobre o atraso nas obras foi feita no mês de dezembro de 2025, sendo a empresa notificada várias vezes. Ainda segundo a PBH, a empresa está passando por um processo sancionador e será retirada da execução. E, que após concluído o processo sancionador, outras empresas serão chamadas para participarem da licitação. A Prefeitura irá verificar se elas têm interesse em assumir a obra na fase em que se encontra. Caso, não haja interesse, será realizado um novo processo licitatório.
“Malha viária já opera em estado de saturação”, afirma especialista de trânsito
“Na engenharia de tráfego, a capacidade operacional das vias não se comporta de forma linear. Quando uma infraestrutura dimensionada, por exemplo, para 10 mil veículos por hora sofre uma perturbação inicial, sua capacidade de escoamento é reduzida exponencialmente. Como a malha viária já opera em estado de saturação, qualquer falha imprevista gera uma degradação severa do fluxo, provocando transtornos muito acima do esperado. Se as vias atuais mal comportam o volume diário, elas são incapazes de tolerar imprevistos. Diante desse cenário, a execução de obras estruturantes torna-se uma exigência incontornável para a mobilidade.”
A afirmação é do especialista em engenharia de tráfego, Rodrigo Sírio Coelho, da empresa Fratar, ao analisar o caos instalado com o extenso engarrafamento ocorrido recentemente, com saturação das vias e impacto em toda a região. A lentidão se capilarizou por toda a malha viária dos bairros Vila da Serra e Belvedere, causando um efeito transbordo em várias vias internas dos dois bairros, com reflexo e retenção, travando o tráfego local, e vistos à distância do alto dos edifícios.
Para Rodrigo, é por episódios como esse que cada vez mais deve-se evitar soluções paliativas de diminuir canteiros e outros remendos que não geram resultado. “O nível de crescimento, a velocidade do desenvolvimento e quantidade de veículos projetada para a região exige que seja implementado tudo que está previsto para esta área limítrofe. Porque, dentro de dez anos, ou um pouco menos, é preciso pensar em outras soluções viárias. Como por exemplo projetos de transporte público que são alternativas mais complexas, que exigem grandes investimentos e que não podem ser resolvidas localmente, porque contemplaria toda uma região e o governo. Afinal, o problema engloba a porção limítrofe e não está contido em uma única cidade”, destacou Rodrigo Coelho.
Colapso no trânsito: “O que vivemos nesse dia precisa ficar como um alerta”
No último dia 1º de junho, por volta das 16 horas, o engenheiro civil Dênnis Ladeira de Sá, morador do Vila da Serra, se deslocou do trabalho até o Vale dos Cristais, para buscar um filho em um colégio, com a intenção de deixá-lo em casa e voltar para uma reunião no edifício Concórdia. Chegou a buscar o filho, mas não conseguiu cumprir seu compromisso: ficou preso no engarrafamento gigantesco formado na MG-030 por quase 5 horas. Muito irritado e sem comunicação com a empresa, passou longas horas parado esperando o trânsito avançar.
Em relato ao JORNAL BELVEDERE, Dênnis informou que em 12 anos de residência na região nunca vivenciou nada parecido. “Dessa vez, o congestionamento superou todas as previsões, com paralisação e lentidão excessiva que levou ao colapso. O volume de veículos superou a capacidade da via e o tempo perdido dentro do carro ultrapassou o limite de tolerância. O trânsito entrou em colapso, literalmente”, desabafou.
“O que vivemos nesse dia precisa ficar como um alerta para o poder público. Os municípios precisam ter um contingente de prontidão para atuar nos primeiros momentos dos engarrafamentos, direcionando o tráfego e amenizando o fluxo. A MG-030, por exemplo, precisa de equipes de trânsito de prontidão logo que as primeiras filas se formaram, para ordenar e direcionar o fluxo de veículos, canalizando o tráfego. Um procedimento técnico simples capaz de separar movimentos conflitantes e orientar os motoristas sobre a trajetória correta de circulação”, destacou. Para ele, a MG-030 precisa de mecanismos que permitam a utilização de outra faixa na direção contrária em casos de acidentes e engarrafamentos.


























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