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Bombeiros fazem exigências na instalação de carregadores de carros elétricos em prédios

Bombeiros fazem exigências na instalação de carregadores de carros elétricos em prédios

As novas regras definidas pelo Conselho dos Corpos de Bombeiros Militares para instalação de carregadores de carros elétricos, em áreas internas em prédios, estão sendo consideradas muito exigentes. Criadas para aumentar a segurança contra incêndio e reduzir riscos em áreas de recarga, as diretrizes aguardam a normatização de cada Estado para serem colocadas em prática.

As novas regras para instalação de carregadores de carros elétricos criadas para aumentar a segurança contra incêndio e também reduzir riscos em áreas de recarga em garagens, estão gerando polêmica para muitos prestadores especializados e proprietários de veículos. As recomendações anunciadas no último mês pelo Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (CNCGBM) estão baseadas em experiências operacionais, estudos técnicos internacionais, registros de ocorrência em todo o Brasil, entre outras. O objetivo é que os novos parâmetros sejam referência para os setores da construção civil, mercado imobiliário, para síndicos, indústria automotiva e motoristas.

Pelas novas regras são exigidos sistemas de detecção de incêndio e de desligamento manual das estações de recarga, a instalação de chuveiros automáticos (sprinklers) ligados ao sistema de hidrantes, sistema de exaustão mecânica para ventilação do ambiente, estrutura para suportar o calor do fogo por pelo menos duas horas, gerenciamento de riscos de instalações elétricas de acordo com as normas técnicas vigentes, entre outros pontos.

Critérios muito exigentes

Guilherme Favato, da Click Carregar, empresa especializada na instalação de estação de recarga, disse que foram adotados critérios muito exigentes, causando grande impacto para síndicos e condomínios, e que a partir de agora cada Estado irá criar seus regulamentos e padrões a serem adotados. “Se a norma estadual for semelhante à diretriz do Conselho, teremos um grande empecilho para adequação. O sistema de sprinklers exige praticamente um reservatório exclusivo, interligado à rede de hidrante. Praticamente, somente os empreendimentos novos terão a condição de se prepararem para receber as estações”, explicou.

Segundo Guilherme Favato, em relação à parte elétrica dos sistemas não há novidade, apenas que não será mais permitido o carregamento portátil, somente o wallbox.
Favato menciona que as normas do Conselho deixaram de mencionar o prazo para a adequação para a parte hidráulica, sendo que a elétrica é de seis meses. “As adequações vão impactar muito, trazer custos e também conflitos em condomínios. Há prédios que não comportam a estrutura exigida”.

Ainda segundo Guilherme Favato, os novos parâmetros pegaram o setor instalação de recarga de surpresa, e a expectativa é que as normas a serem estabelecidas pelo Estado sejam menos impactantes. “No entanto, foi bom para o mercado porque havia muita dúvida, e essa era uma preocupação para as seguradoras. O fato é que o risco de incêndio espontâneo é o mesmo para o carro a combustão. E, as normas não abordaram os levíssimos – patinetes e motos elétricas – que oferecem mais riscos”, ressaltou.

Impacto significativo

Maurício Zannon, fundador da Expert, empresa de síndicos profissionais do mercado, vê com muita atenção a proposta do Conselho do Corpo de Bombeiros, tendo em vista o cenário do mercado de veículos elétricos e impactos potenciais para o mercado condominial. “Se por um lado vemos as vendas de veículos eletrificados (elétricos e híbridos) avançando a 9,4% de participação (market share) em agosto, temos o Conselho Nacional do Corpo de Bombeiros propondo uma diretriz que impacta de forma significativa tanto para novos empreendimentos como para os condomínios já implantados. Para os novos, seguramente as construtoras repassarão os custos para seus clientes. Contudo, as adequações para condomínios implantados requererão além de investimentos voluptuários, a coesão de suas comunidades para aprovação destas em benefício de um grupo que ainda não é maioria, embora crescente”, explicou.

Ainda segundo Maurício Zannon, uma vez que foi divulgada a nova diretriz, a recomendação dele a síndicos e administradoras, é aguardar o desdobramento por parte do CBMMG, que definirá efetivamente o que será acatado e prazos necessários para adequação. “A partir daí é fundamental levar o tema às Assembleias Gerais para discussão e eventuais aprovações”, destacou.

Estado não tem normatização

A diretora de Engenharia do Grupo EPO, Márcia Santos Arruda, informou que embora ainda não haja uma normatização pelo Estado, a empresa vem trabalhando nos projetos para produtos futuros. Ela cita que o empreendimento Jardim, na Cidade Jardim, é um case de sucesso para a normatização pois ele oferece toda a condição de instalação, com espaços definidos. “Ele não foi aprovado assim, porque na época não existia a diretriz, mas quando for entregue estará apto, por exemplo, para atender quaisquer exigências. Ou seja, quando for normatizado faremos as transformações e estas passam pelos espaços físicos nas garagens”, explicou.

Ela ressalta que a instalação da estação de carregamento que antes era um diferencial, hoje é uma exigência do cliente, porque a cada dia mais pessoas optam pelo carro elétrico. Por isso, virou uma obrigação para as empresas encontrarem uma solução para a adequação das normas. “Não há o que se falar de não ter a condição de instalação. É preciso olhar para os novos empreendimentos com espaço físico para essa realidade dentro das garagens, com a compartimentação para maior segurança e conter, caso aconteça, a propagação de um incêndio, de fumaça ou calor”, declarou.

Por enquanto, as normas do Conselho ainda não são “normas” para o Estado. Nesse mês, o CREA-MG e o Corpo de Bombeiros de Minas vão realizar um seminário para definirem a questão, e esta está sendo muito aguardada pelo mercado.

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