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Instalação de centro de eventos no Belvedere preocupa moradores

Instalação de centro de eventos no Belvedere preocupa moradores

A Casa Vereda, um centro de convenção e eventos que terá lugar no antigo prédio da Telhanorte, na interseção da Avenida Raja Gabaglia com a rodovia MGC-356, terá capacidade para receber 4.500 pessoas e será destinada à realização de feiras, exposições, congressos, formaturas, casamentos e shows.


A instalação de um novo espaço de eventos premium na região do Belvedere vem causando apreensão e descontentamento em moradores e dirigentes de associações. Com inauguração prevista para setembro deste ano, a Casa Vereda será um centro de convenção e eventos que terá lugar no antigo prédio da Telhanorte, próximo do Trevo do Belvedere, na interseção da Avenida Raja Gabaglia com a rodovia MGC-356.

O projeto será implantado em um terreno de 8.685 m2 com área edificada de 18.417 m2 e capacidade para receber 4.500 pessoas. O local será destinado à realização de feiras, exposições, congressos, formaturas, casamentos e shows. O local contará com 10 funcionários diários e estima-se que aproximadamente 250 profissionais adicionais serão mobilizados para a montagem e organização nos dias de eventos.

Infraestrutura de alto padrão

A Casa Vereda chega com uma infraestrutura de alto padrão que inclui 5.000m2 de vão livre, três salas de conferência e capacidade para receber até 4.500 pessoas, com 257 vagas de estacionamento com acesso pela Rua Maria Luiza Santiago, no Bairro Santa Lúcia.

De acordo com informações da empresa, a estrutura integrada permite eventos simultâneos ou operações de grande porte, com fluidez entre os ambientes e operação simplificada para produtores e participantes. De acordo com a apresentação, “a Casa Vereda nasce do entendimento de que Belo Horizonte precisa de espaços mais flexíveis, bem localizados e preparados para diferentes formatos de evento. Um ambiente que se adapta — de reuniões executivas a grandes feiras, de convenções a shows.”

Dividido em níveis, o empreendimento oferece no pavilhão principal 4.084 m2 de área com layout adaptável, com vão livre imponente com pé direito de 7m, cozinha industrial de 211m2, depósitos frigoríficos e infraestrutura completa para feiras, congressos, shows e plenárias de médio e grande porte. E salas de reuniões e treinamento com espaços que vão de 89 m2, a 184 m2 para atender até 161 pessoas e até mesmo área de palestras, treinamentos e encontros corporativos simultâneos à programação principal, com 511 m2, com foyer de apoio para coffee break, networking e exposições leves entre sessões simultâneas.

Segundo informou a Ecominas, consultoria especializada em questões ambientais, urbanísticas e viárias, a Casa Vereda vai utilizar a edificação construída da grande rede de material de construção e reforma, já possui toda a documentação solicitada pela Prefeitura de Belo Horizonte e neste momento trabalha nas diretrizes do licenciamento. Recentemente, a empresa realizou uma pesquisa de percepção socioambiental para ouvir moradores no entorno “sobre como a Casa Vereda poderá se relacionar com o dia a dia da vizinhança”, para os estudos visando o licenciamento urbanístico da edificação.

Porte gera conflito aos bairros

Para o diretor da Associação de Amigos do Bairro Belvedere (AABB), Marcello Pavan, o porte do empreendimento gera conflito aos bairros vizinhos, como Belvedere e Santa Lúcia, por impactar o trânsito com o aumento de veículos, comprometer a mobilidade e aumentar o movimento de pessoas no entorno e com isso atrair a criminalidade. “Esse projeto irá trazer impactos significativos para o nosso dia a dia, afetando a qualidade de vida da nossa comunidade”, destacou.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Moradores do Bairro Belvedere (AMBB) José Eugênio de Castro, disse que recebeu a pesquisa socioambiental elaborada sob as diretrizes para o licenciamento da Casa Vereda e “que fiel aos princípios da transparência e da participação cidadã, encaminhou seu conteúdo a todos os associados, aos demais moradores do bairro e também a representantes da comunidade do Bairro Santa Lúcia, para que todos tivessem acesso às informações e formar livremente sua própria opinião”.

Segundo José Eugênio,, como presidente da entidade, não cabe a ele influenciar a posição individual de qualquer cidadão. “Ao contrário, entendo que uma associação somente é verdadeiramente representativa quando respeita a pluralidade de opiniões e atua como porta-voz dos interesses da coletividade. É inegável que um empreendimento com mais de 18 mil metros quadrados de área construída e capacidade para mais de 4.500 pessoas desperta preocupações legítimas quanto à mobilidade, ao trânsito, à segurança, aos ruídos e à qualidade de vida da população do entorno, cuja vocação é predominantemente residencial”, destacou.

Para José Eugênio, essas questões precisam ser enfrentadas com planejamento, responsabilidade e sobretudo, com diálogo permanente entre o Poder Público, o empreendedor e as comunidades diretamente envolvidos. Ele informou que “a AMBB está disposta a contribuir com o debate, sempre em busca de soluções que conciliam o desenvolvimento da cidade com a qualidade de vida da população. Belo Horizonte precisa crescer, mas precisa crescer bem. A cidade necessita de investimentos que geram empregos, movimentam a economia e ampliam sua infraestrutura para eventos, sempre em harmonia com os interesses da comunidade. O debate, portanto, não deve se limitar a ser favorável ou contrário ao empreendimento, mas concentrar-se em assegurar que o seu desenvolvimento seja acompanhado das contrapartidas necessárias para minimizar seus impactos e preservar a qualidade de vida da população”, ressaltou.

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