A médica veterinária e cirurgiã, Bruna Maffei Camini explica as consequências da doença que é transmitida através da picada de flebotomíneos infectados, os popularmente chamados “mosquito-palha”.
A Leishmaniose Visceral (LV), também conhecida como calazar ou barriga d’água, é uma doença infecciosa sistêmica grave causada por protozoários do gênero Leishmania, que afeta órgãos internos, principalmente o fígado, o baço e a medula óssea, e pode ser fatal em mais de 90% dos casos se não for tratada adequadamente. Ela acomete principalmente os cães e é também uma zoonose, ou seja, pode afetar seres humanos. Porém, a transmissão não ocorre do cão diretamente para a pessoa. A informação é da médica veterinária e cirurgiã, Bruna Maffei Camini, ao alertar sobre as formas de transmissão e os sinais clínicos da doença.
Segundo ela, a principal forma de transmissão é através da picada de flebotomíneos infectados, os popularmente chamados “mosquito-palha”. “Um cão com leishmaniose visceral canina pode apresentar sinais clínicos cutâneos, como dermatites, perda de pelo, feridas na pele e crescimento excessivo das unhas. Também podem ser observadas alterações oculares, como conjuntivite, uveíte e blefarite. A doença pode ainda causar sinais clínicos generalizados e inespecíficos, como emagrecimento, vômitos, diarreia, redução do apetite, sangramento nasal e claudicação. Além disso, um cão pode estar infectado e não apresentar sintomas”, explicou.
Bruna Camini destaca que o diagnóstico é realizado através da avaliação clínica do animal, associada a exames laboratoriais específicos e que existe tratamento, porém sem conseguir eliminar totalmente o parasita do organismo do cão. De acordo com ela, o objetivo do tratamento é reduzir a carga parasitária e proporcionar melhora dos sinais clínicos, buscando oferecer qualidade de vida para o paciente. “É de suma importância que um paciente com leishmaniose tenha acompanhamento veterinário contínuo. Além disso, o diagnóstico precoce pode proporcionar um bom prognóstico”, ressalta.
Sobre as formas de prevenção, Bruna explica que a principal delas é através do uso de coleiras repelentes, que devem ser utilizadas tanto por cães com leishmaniose quanto por cães sem a doença. “Também é importante evitar passeios em horário crepuscular e noturno, que é quando há maior frequência do ‘mosquito-palha’. Realizar a prevenção nos cães é fundamental, tanto para a saúde deles quanto para a da comunidade como um todo”, reforçou.
Vale destacar que a doença tem tratamento, gratuito no SUS, mas pode ser fatal se não tratada precocemente. Em cães, o tratamento é complexo e deve ser acompanhado por veterinário, pois o animal pode permanecer como reservatório do parasita.
Animais comunitários têm mais propensão à doença. Os principais motivos para essa maior vulnerabilidade são a exposição contínua ao vetor, por ficarem mais expostos à picada do mosquito, a falta de medidas preventivas, ambiente favorável ao mosquito e condições precárias de saúde.


























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