O chinês Geely EX2 chegou ao marco de 10 mil unidades vendidas no Brasil. Por que o elétrico SUV compacto caiu no gosto dos brasileiros? Para encontrar uma resposta para essa pergunta, o caminho é simples: o Geely EX2 é um carro que busca apenas resolver a vida de quem procura um elétrico acessível, espaçoso, eficiente e, principalmente, utilizável no dia a dia. Como? O SUV tem preço bastante competitivo, design bem redondinho, moderno e harmônio; motor elétrico que despeja 116cv nas rodas traseiras, autonomia perto dos 300 quilômetros, amplo espaço interno, suspensão bem acertada para as condições brasileiras e um bom pacote tecnológico de conforto e segurança.
Durante alguns anos, os elétricos compactos vendidos no Brasil pareciam divididos em dois grupos: os baratos demais, que obrigavam o comprador a aceitar limitações claras, e os completos demais, que rapidamente escapavam da faixa de preço racional. O Geely EX2 Max aparece no meio do caminho. Tem preço relativamente próximo de compactos tradicionais bem equipados, mas entrega um pacote que até pouco tempo atrás era privilégio de modelos muito mais caros. A sensação é de que a Geely observou atentamente o mercado brasileiro antes de desembarcar aqui. Visualmente, o Geely EX2 Max não tenta parecer agressivo ou futurista em excesso.
Em vez disso, aposta numa estética amigável, quase minimalista, com superfícies limpas, linhas arredondadas e proporções equilibradas. É um carro que transmite modernidade sem precisar exagerar nos vincos ou nas soluções extravagantes típicas de alguns elétricos chineses. Porém, o que mais chama atenção é como ele aproveita bem suas dimensões. Por fora, ocupa praticamente o espaço de um hatch compacto tradicional. Por dentro, entrega cabine de carro maior. O entre-eixos longo cria um ambiente surpreendentemente amplo para quem vai atrás, especialmente para pernas e joelhos. Ajuda bastante na sensação de espaço o assoalho plano e a ausência do túnel central, que transformam o banco traseiro em um lugar realmente confortável para três ocupantes em trajetos urbanos.
Já o porta-malas mostra que a Geely pensou no uso familiar. Os 375 litros do Geely EX2 Max dão conta da rotina sem esforço, enquanto o compartimento dianteiro vira um bônus útil para cabos de carregamento ou objetos menores. Ao volante, o Geely EX2 Max deixa claro qual é sua proposta. Não é um esportivo disfarçado de elétrico, nem tenta entregar acelerações absurdas apenas para impressionar em números. O foco aqui está na suavidade.
Os 116cv podem parecer modestos no papel, mas o torque instantâneo típico dos elétricos faz o hatch responder rapidamente no trânsito urbano. Saídas de semáforo, retomadas curtas e mudanças rápidas de faixa acontecem com facilidade. Na cidade, ele parece mais forte do que realmente é. A escolha pela tração traseira também muda a sensação ao dirigir. O carro empurra em vez de puxar, e isso deixa as arrancadas mais naturais e progressivas. Há um refinamento inesperado para um elétrico dessa faixa de preço. Segue o mesmo raciocínio a suspensão do Geely EX2 Max. Em vez de privilegiar firmeza excessiva, absorve bem buracos, lombadas e imperfeições urbanas. O conjunto claramente foi calibrado pensando no asfalto brasileiro — mérito importante da parceria operacional com a Renault.
Em velocidades mais altas, entretanto, o compacto elétrico revela seus limites. A direção continua excessivamente leve, e a carroceria inclina mais do que o ideal em mudanças rápidas de trajetória. Não chega a comprometer a segurança, mas deixa evidente que conforto urbano veio antes da esportividade. Boa parte dos carros elétricos compactos tenta vender tecnologia antes de entregar praticidade. O Geely EX2 Max faz o contrário. A cabine é simples em alguns aspectos — há bastante plástico rígido, por exemplo —, mas a ergonomia funciona melhor do que em muitos rivais. O console elevado cria espaços úteis, os comandos principais são relativamente intuitivos e a posição de dirigir agrada rapidamente. Há detalhes interessantes, como a iluminação ambiente inspirada em silhuetas urbanas e o funcionamento quase “automático” do carro: entrar, engatar a marcha e sair. Sem botão de partida, sem cerimônia.
Com boa resolução e respostas rápida, a central multimídia peca apenas na ausência nativa de Apple CarPlay e Android Auto em algumas unidades. É um detalhe importante em 2026, principalmente para um carro tão conectado em outros aspectos. O pacote de equipamentos do Geely EX2 Max impressiona pelo valor cobrado, incluindo câmera 360°, controle automático de velocidade adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alerta de permanência em faixa e assistentes que ainda são raros até em SUVs médios nacionais. O conjunto de bateria LFP com pouco mais de 40 kWh mostra eficiência acima da média em ambiente urbano. E isso faz enorme diferença no uso real.
Na prática, o modelo consegue entregar autonomia bastante convincente para deslocamentos diários, especialmente para quem roda em grandes cidades. Mais importante do que números absolutos é o fato de que ele parece consumir energia sem ansiedade constante. Claro, viagens longas ainda exigem planejamento, como em praticamente qualquer elétrico compacto atual. Mas no contexto urbano — onde esses carros realmente vivem — o Geely EX2 Max parece extremamente coerente. Mas o Geely EX2 Max surge oferecendo algo que o mercado busca: equilíbrio. O modelo reúne amplo espaço interno, dinâmica agradável, bom pacote de equipamentos, eficiência consistente e uma rede de pós-venda apoiada pela Renault. E tudo isso sem parecer experimental ou improvisado.


























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