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Cissa Caroline se destaca abrindo espaço para maior participação feminina na gestão pública

Cissa Caroline se destaca abrindo espaço para maior participação feminina na gestão pública

No mês em que a atenção se volta para a força, a luta e as conquistas femininas, a atuação de uma mulher ganha ainda mais relevância no cenário da administração pública, e se torna um símbolo de avanço social, onde as mulheres assumem cada vez mais papéis de influência. Em um ambiente historicamente formado em sua maioria por homens, a vice-prefeita de Nova Lima, Cissa Caroline Souza, destaca-se como uma importante voz feminina na gestão municipal.

Aos 40 anos, natural de Nova Lima, formada em Administração e com MBA em Comunicação e Marketing, Cissa construiu sua trajetória consistente. Empreendedora por quase 15 anos e sócia-fundadora da Lab 180 Comunicação, ganhou destaque no associativismo ao liderar iniciativas que conectam o setor produtivo, o poder público e a sociedade. Foi nesse ambiente que pôde aperfeiçoar muitas de suas características de gestora. À frente da Câmara da Mulher Empreendedora, da Associação Comercial e Empresarial e, posteriormente, na Federaminas, também construiu uma trajetória baseada em diálogo, colaboração e resultados.

Sua entrada no governo do prefeito João Marcelo Dieguez foi como subsecretária de Desenvolvimento Econômico, onde idealizou o programa “Elas no Comando”, projeto de empreendedorismo feminino que impactou mais de mil mulheres e que levou o município ao primeiro lugar no Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora (2024).

Cissa ocupou ainda a chefia de gabinete também no primeiro mandato antes de compor a chapa vencedora, ao lado do prefeito, nas últimas eleições. Como vice-prefeita, ela se mantém atuando em pautas e projetos importantes da atual gestão, como a eficiência administrativa, o apoio ao empreendedorismo e ações para os desenvolvimentos econômico e social.

A seguir, na entrevista ao JORNAL BELVEDERE, Cissa fala sobre sua trajetória, desafios, visão de gestão e o papel feminino nos espaços de poder. E ela dá a receita para superar as barreiras que impedem as mulheres de alcançar mais espaços de liderança.


JORNAL BELVEDERE – O que a motivou a entrar para a vida pública?
Cissa Caroline – Antes de ingressar na vida pública, eu empreendi por quase 15 anos, como sócia-fundadora da Lab 180 Comunicação. Foi no empreendedorismo, e sobretudo no associativismo, que aprendi os desafios de liderar, gerar oportunidades e construir soluções. Desde criança, tenho o espírito de liderança. Nas brincadeiras com os colegas na escola, eu já tomada a frente, de forma muito natural. Quando conheci o associativismo, por meio de minha participação na Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Nova Lima, as portas se abriram para mim, pois fui para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico como diretora e, posteriormente, como subsecretária. Depois disso, assumi a Chefia de Gabinete e, em seguida, fui eleita vice-prefeita. A base no associativismo contribuiu para a minha vida pública, pois pude chegar onde cheguei, sempre com muito trabalho e dedicação.

JB – Em algum momento o fato de ser mulher foi questionado?
Cissa – Atuo um espaço predominantemente masculino, então, é natural que a presença feminina seja questionada — às vezes de forma explícita, outras vezes de maneira mais sutil.
Mas acredito que as melhores respostas sempre são o trabalho, a preparação e os resultados. Cada mulher que ocupa um espaço de liderança ajuda a abrir caminho para outras. Quanto mais mulheres participarem da gestão pública, mais natural essa presença se tornará.

JB – Quais os valores da sua trajetória profissional mais influenciaram e influenciam hoje a sua conduta no trabalho?
Cissa – O empreendedorismo moldou muito os valores que carrego hoje. Aprendi sobre responsabilidade, planejamento, disciplina e, principalmente, sobre a importância de ouvir as pessoas e buscar soluções concretas. Também aprendi muito em casa com minha mãe, Jussara, servente escolar e mãe solo, que nos ensinou a crescer pelo estudo e pelos próprios esforços. Outro valor muito forte é o da colaboração. No associativismo e no empreendedorismo, entendemos que ninguém constrói nada sozinho. É preciso diálogo, parceria e visão coletiva. Esses princípios continuam guiando minha atuação na gestão pública.

JB – Você vê barreiras para as mulheres na gestão pública ou na carreira política? Se sim, como entende que elas devem ser superadas?
Cissa – Sim, ainda existem barreiras, principalmente relacionadas à representatividade, à falta de apoio e, muitas vezes, à ausência de redes de incentivo para as mulheres. Acredito que essas barreiras são superadas com três pilares: formação, rede de apoio e oportunidade. Precisamos incentivar mais mulheres a participarem da vida pública, investir em capacitação e fortalecer redes femininas que ofereçam apoio, troca de experiências e encorajamento. Quando mulheres se apoiam, criamos um ambiente muito mais favorável para novas lideranças surgirem.

JB – Sob o seu olhar feminino, quais são as políticas públicas que você vem priorizando e que são voltadas para as mulheres?
Cissa – Uma das iniciativas que mais me marcou foi a criação do programa “Elas no Comando”, quando atuei como subsecretária de Desenvolvimento Econômico de Nova Lima. Esse programa se tornou o maior projeto de empreendedorismo feminino da história da cidade e já beneficiou mais de mil mulheres. Ele promove autoestima, independência financeira e fortalecimento de rede entre mulheres empreendedoras. Quando fortalecemos mulheres, fortalecemos também famílias, comunidades e toda a economia local.

JB – Quais projetos, na sua visão feminina também, de cuidados e atenção, você acredita que podem transformar o futuro de Nova Lima?
Cissa Caroline – Projetos que ampliem oportunidades e promovam autonomia têm um enorme potencial de transformação. Isso passa por educação de qualidade, incentivo ao empreendedorismo, políticas de inclusão produtiva e programas de capacitação. Também acredito muito em iniciativas que fortaleçam redes de apoio e desenvolvimento comunitário. Quando investimos nas pessoas e criamos oportunidades para que elas possam desenvolver seu potencial, estamos construindo uma cidade mais justa, humana e preparada para o futuro.

JB – Você tem alguma mulher que te inspirou – ou vem inspirando – sua caminhada?
Cissa – Há muitas mulheres que abriram caminhos em ambientes desafiadores e mostraram que é possível liderar com competência, sensibilidade e coragem. Meu grande exemplo de mulher é, primeiramente, minha mãe. Também me inspiro muito nas mulheres empreendedoras que encontro ao longo da minha trajetória. Histórias de superação, dedicação e transformação que mostram, todos os dias, a força e a capacidade das mulheres de construir novos caminhos.

JB – Como você consegue equilibrar horas de trabalho, de entrega ao mandato, com sua vida pessoal e emocional? Quem é a Cissa mulher, filha e esposa?
Cissa – Eu sou muito família. Sempre que posso, faço questão de estar na minha casa, com minha mãe, meu marido, meu irmão, minhas tias e meus primos. São esses momentos simples, da minha convivência familiar, que me renovam e me dão energia para seguir trabalhando. Às vezes, a rotina da prefeitura me impede de participar de alguns compromissos, mas eu faço o possível para estar presente e para manter esse vínculo tão importante, também com minhas amigas. Como mulher, filha e esposa, eu carrego comigo valores muito fortes de cuidado, dedicação e responsabilidade. Sou uma mulher muito ligada à família, que se preocupa em estar por perto, em ajudar e valorizar as pessoas que sempre estiveram ao seu lado.

JB – Que mensagem você deixa para as jovens que sonham em ocupar espaços de liderança?
Cissa – Eu diria para acreditarem na própria trajetória e no próprio potencial. O medo e a insegurança fazem parte de qualquer jornada, mas não podem ser maiores que o propósito. Busquem preparo, estudem, participem de projetos, construam redes e se envolvam com causas que façam sentido para vocês. Ninguém precisa estar totalmente pronta para começar — o crescimento acontece ao longo do caminho. O mais importante é dar o primeiro passo e acreditar que vocês também podem ocupar qualquer espaço que desejarem.

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