A mostra inédita apresenta mais de 250 obras e objetos e ocupa todos os espaços do centro cultural na Praça da Liberdade (BH) reunindo arte, história e design
Espaços de convivência e troca, as ruas revelam um Brasil plural, vibrante e em movimento, onde tradição e inovação caminham lado a lado, moldando formas de viver e de imaginar o futuro. É dessa atmosfera que nasce a exposição inédita “Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura”, uma experiência que convida o público a mergulhar na essência da nossa cultura e na força criativa que transforma o cotidiano em arte. A mostra está em cartaz desde o último dia 7 de julho e prossegue até 11 de outubro e a entrada é gratuita.
Com curadoria de Yuri Quevedo, Peter Fassbender e Marcos Rozen, além da curadoria de moda de Mercedes Tristão, a mostra ocupa todos os espaços da instituição com mais de 250 peças, entre obras de arte, fotografias históricas, looks de moda, automóveis que marcaram gerações, além de vídeos, instalações imersivas e obras site-specific.
Para o presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo, a exposição inova ao trazer temas que fazem parte do cotidiano das pessoas por meio de obras de arte de grande significado e de experiências sensoriais que vão despertar emoções inesperadas. “Em um ano tão representativo para a instituição, que celebra 20 anos ao lado dos 50 anos da Fiat no Brasil, esta exposição conta uma história que pertence a todos nós. Ao percorrer manifestações culturais das últimas cinco décadas, celebramos não apenas uma trajetória da marca, mas principalmente a riqueza da cultura brasileira e sua capacidade de conectar pessoas, tempos e territórios”, enfatiza Massimo Cavallo. Ele ainda destaca que na exposição a fábrica surge como um lugar de produção coletiva, com forte presença humana e como espaço de criação contínua de objetos de beleza e de tecnologia.
Para os apaixonados por automóveis, o lendário Fiat 147, primeiro carro movido a álcool produzido em série no mundo, ganhou protagonismo na exposição mostrando como a ousadia e inovação redefiniu a indústria nacional nas últimas cinco décadas. Para retratar o espírito transformador dos anos 1970, a exposição apresenta registros históricos de grande impacto, como a visita do então presidente Juscelino Kubitschek à fábrica da Fiat em Betim (MG), um momento que ajudou a consolidar a marca como parte da história do país.
A mostra também destaca criações de ícones da moda brasileira, como Clodovil Hernandes e Ronaldo Fraga, além de carros-conceito que revelam a força criativa do país e provocam novos olhares sobre legado, inovação e futuro. As ruas, nesse contexto, aparecem como palco de transformações e experiências coletivas, reafirmando sua potência como espaço de cultura e identidade.
Fiat: 50 anos de história no Brasil
Ao celebrar 50 anos de história no Brasil, a Fiat reafirma seu papel como protagonista na vida e na cultura do país. Mais do que veículos, seus modelos se tornaram símbolos de progresso e inovação, acompanhando de perto a evolução da sociedade por meio de design arrojado, tecnologia de ponta e funcionalidade que dialoga com o cotidiano do brasileiro.
Para o Presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, os 50 anos da Fiat no Brasil representam muito mais do que a história de uma marca. “Revelam uma trajetória construída ao lado das pessoas, acompanhando mudanças de comportamento, novas formas de viver, trabalhar, se mover e relacionar. Essa relação evidencia a essência que move a Fiat: a proximidade com o cotidiano dos brasileiros, a capacidade de inovar e a conexão profunda com a cultura do país. ‘Celebrar as ruas’ traduz esse percurso por meio de uma experiência cultural ampla e emocionante”.
O Brasil moderno ganha forma
A construção de Brasília, símbolo de um projeto nacional voltado para o futuro, surge como um dos marcos da narrativa, representada por imagens emblemáticas que registram a criação da nova capital e as transformações que ela provocou na paisagem e no imaginário brasileiro. Nesse contexto, a chegada da Fiat a Minas Gerais também se insere como um capítulo importante da história do país. Inaugurada em 1976, a fábrica de Betim representou um dos mais relevantes projetos industriais da época, contribuindo para o desenvolvimento econômico do estado e para a consolidação da indústria automobilística brasileira. A exposição apresenta ao público registros desse período, revelando como o crescimento industrial dialogou com as transformações sociais e urbanas vividas pelo Brasil nas últimas décadas.
Obras de artistas como Djanira da Motta e Silva, Regina Silveira, Claudio Tozzi e Rubens Gerchman ampliam essa reflexão ao abordar temas como trabalho, cidade, multidão, deslocamento e modernização. Em diálogo com fotografias de Marcel Gautherot e Thomaz Farkas, elas revelam diferentes perspectivas sobre um país que se transformava rapidamente e buscava construir novos horizontes para o futuro.
Nesse contexto, o automóvel ultrapassa sua função original e se consolida como expressão de brasilidade: próximo das pessoas, conectado aos territórios e impulsionador de novas possibilidades.
Carros que contam histórias
Os automóveis expostos estão inseridos em três eixos que remetem à memória coletiva dos brasileiros. Agrupados com novos significados e como símbolo de paixão, estão o Palio Weekend do Pentacampeonato Mundial da Seleção Brasileira, com autógrafos dos então jogadores campeões e o Fiat Idea, utilizado pelo Papa Francisco em sua vinda ao Brasil em 2013. Entre as surpresas da exposição está também o Fiat Uno, do acervo de Adriane Galisteu, presente de Ayrton Senna para ela nos anos 90. Ao guardar lembranças íntimas, essa história revela como os automóveis aumentam seu valor emocional a partir de experiências únicas e históricas.
Peter Fassbender, curador, ressalta o design como elemento central dessa narrativa, revelando sua capacidade de antecipar comportamentos, responder aos desafios de seu tempo e imaginar novas formas de mobilidade.
Pela primeira vez na Casa Fiat de Cultura, a montagem se estende para o ambiente aberto dos seus jardins, onde foram construídas cápsulas que integram natureza, arte e design. Ao redor, automóveis emblemáticos acompanham essa travessia e reafirmam seu papel como expressão de inovação e transformação, reunindo em suas formas memórias, originalidade e a constante capacidade de se reinventar.


























Deixe um comentário
Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *